UM DEUS MUITO HUMANO!

As evidências das naturezas divina e humana de Cristo permeiam todas as páginas dos evangelhos bem como todo o Novo Testamento. Como divino se fez igual a Deus, recebeu adoração, operou sinais extraordinários e perdoou pecados. Como humano teve um nascimento e um desenvolvimento natural, além de em toda sua vida sofrer das mesmas necessidades e limitações humanas, inclusive a morte. Assim, Jesus é igualmente tanto Deus, quanto homem.

Mas eis um paradoxo da nossa fé quanto a percepção de Cristo e sua natureza: Se Jesus é tanto Divino quanto humano, por que temos a nítida tendência de perceber, aceitar e exaltar mais sua divindade do que sua humanidade? Por que o percebemos mais como Deus e menos como homem?

Uma pergunta difícil de ser respondida, mas talvez a resposta esteja em nossa tendência natural de valorizar mais o espirito do que o corpo; Mais espiritual do que o material; Mais o divino do que o humano. Sem dúvidas há essa predileção, que urge a necessidade de equilíbrio. Quanto ao Cristo, sua divindade deve sim ser percebida, acatada e exaltada, mas também sua humanidade.

Vejo no aprofundamento do nosso olhar para a humanidade do Salvador não apenas uma necessidade doutrinaria, mas um caminho para a renovação da fé e de um maior deslumbramento e paixão pela pessoa do Cristo de Deus.
Quando falo da humanidade de Cristo como necessidade doutrinaria e renovadora da fé, penso em algo além do que uma simples referência ao ser humano ou conjunto de características específicas à natureza humana. Penso em humanidade como virtude, a maneira bondosa de tratar alguém; a capacidade de se compadecer; de acolher o excluído, de tratar o doente. Humanidade como bondade, compaixão, simplicidade, desapego material, a luta pelo interesse do outro.

Para chegarmos a esse nível de percepção da impactante humanidade de Jesus, precisamos notar os significativos detalhes de suas palavras e ações. Como o tocar no excluído leproso mesmo sob a ameaça de infecção; Como o tomar, brincar e abençoar desprezadas crianças em seu colo, mesmo diante do cansaço e da angustia pela proximidade do Calvário; Como o profundo sentimento de compaixão que tomou seu coração em relação a uma viúva que caminhava lentamente a enterrar seu único filho; Como as lágrimas derramadas diante a sepultura do querido amigo Lázaro; ou inda sua capacidade de promover o bem a uma multidão faminta mesmo diante do luto pela perda do primo e amigo de infância João Batista. É disso que estou falando, de um Deus muito, muito humano! Tão humano que só podia ser Deus!

Weslei Pinha


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