UBUNTU

Estranha a palavra que dá título a nossa reflexão semanal, não concorda? Deparei-me com ela pela primeira vez lendo o livro “Deus não é cristão” do anglicano e Prêmio Nobel da Paz em 1984, Desmond Tutu, militante no combate ao Apartheid – Sistema racista e segregacionista que privava negros de diversos direitos civis na África do Sul.

Ubuntu em um dos dialetos africanos significa: “Uma pessoa, só é uma pessoa por intermédio de outra pessoa”. Em síntese: precisamos de outros seres humanos para aprendermos a ser humanos, pois ninguém vem ao mundo totalmente formado.

Desmond Tutu afirma que fomos feitos para a complementariedade. Fomos feitos para a condição de estamos juntos, em família.

Ubuntu nos leva a pensar numa declaração do Criador ante a sua criação: “Então o Senhor Deus declarou: Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”. Gênesis 2.18

A avaliação negativa do Criador em Gênesis 2.18 é a única no que diz respeito à criação. Visto que nas demais, via Ele que tudo era bom! O único aspecto da criação que não era boa, é que o homem estava só.

É claro que a criação da mulher não tem como objetivo satisfazer uma necessidade sexual do homem, mais do que isso, a criação da mulher visa satisfazer a necessidade comunitária de Adão. Para John Stott, Deus nos criou com a necessidade de gente. Afirmar que não precisamos de ninguém é uma farsa. Deus nos criou para uma eterna dependência de uns para com os outros.

Steve Timmis e Tim Chester afirma no livro “Igreja Total” que a “existência de uma pessoa sem relacionamentos é tão impossível quanto à de uma mãe sem filhos ou de um filho sem pais”.

No contexto de Igreja, é preciso entender que estar em Cristo significa estar junto com outras pessoas que também estão em Cristo.

A palavra grega Koinonia, traz a ideia de algo mais profundo do que apenas comunidade ou grupo de pessoas. Koinonia não é apenas o grupo que se reúne, mas o grupo que tem tudo em “comum” e que “compartilha”, dentre outras coisas, a própria vida!

Weslei Pinha


Deixe seu comentário