TEMPO DE QUÊ?

Nasci em Teixeira de Freitas-BA no ano de 1984. Nesse grande distrito maior que muitas cidades do Brasil que conquistou sua emancipação política no ano seguinte, morei até os meus sete anos com meus avós paternos. No final do ano de 1991 me mudei para um pequeno povoado de cerca de 3 mil habitantes chamado Santo Antônio, distrito pertencente a já cidade Teixeira de Freitas. Ali passei a morar com meus pais e posso dizer que nesse tempo vivi uma infância dinâmica, empolgante e alegre.

A pequena cidade rural propiciava a criação de amizades com facilidade, de sair á noite e passear pelas muitas propriedades rurais da região. Privilégios para poucas crianças da época, menos ainda para as de hoje! Mas havia algo ainda mais peculiar naqueles dias, que só soltou aos meus olhos há pouco tempo. Não sei como isso tinha origem e ainda hoje não sei, mas certo é que de tempos em tempos estávamos todos envolvidos por algum tipo de brincadeira, às vezes até adultos. Parece que havia um tempo não programado, não agendado que determinadas brincadeiras tomavam conta daquele povoado (acredito que o mesmo acontecia na maioria dos lugares naquele tempo). Havia o tempo do pião; o tempo de trocar figurinhas; o tempo de jogar gude; o tempo de soltar pipa (o meu tempo preferido); havia tempo de argolinha; carrinho de rolimã e etc. Assim como não havia tempo para começar, também não havia tempo para terminar. Mas o certo é que depois de alguns meses (dois ou três) já não havia ninguém ou quase ninguém envolvido com aquela brincadeira. Aí era só esperar um pouco e outra brincadeira tomava conta da galera.

Naquela época havia um tempo “debaixo do céu” para todas essas brincadeiras, mas verdade seja dita, não havia um tempo para o futebol, sempre era tempo de futebol. É certo que com a efusão de uma “nova” diverssão, diminuía-se o baba, mas nunca acabava. Futebol era a paixão da maioria de Janeiro a Janeiro.

Hoje as coisas mudaram (gosto de mudanças), mas que pena que nesse aspecto mudaram! Não há mais tempo de… A infância ficou mais pobre. Não há mais tempo de… Findou a expectativa para a próxima brincadeira, pois tudo virou tempo de uma coisa só. Não há mais tempo de… A violência, o espírito individualista e os eletrônicos, fizeram da pipa, do pião e da gude objetos de museu!

Do cara que teve uma infância dinâmica, empolgante e alegre.

Weslei Pinha


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