QUEM NÃO PODE ORAR O “PAI NOSSO”?

Lucas afirma que a oração que com passar do tempo denominamos “Pai Nosso” tem sua origem no pedido de um dos discípulos, que impressionado com a maneira com que Jesus orava, suplicou “ensina-nos a orar” (Lucas 11.1).

Para o comentarista bíblico William Hendrisen o “Pai Nosso” é essencialmente uma oração modelo. Ela deve servir como padrão para nossas devoções. Seguindo essa linha de pensamento o pastor Carlos Queiroz afirma que Jesus não pretendia ensinar uma oração a ser meramente repetida, nem somente decorada e reproduzida (…) mais do que uma peça poética, é acima de tudo um estilo de vida a ser desfrutado.

É com base nesse elevado conceito da oração ensinada por Jesus, que afirmo que algumas pessoas não têm as devidas credenciais para fazer tal oração.

NÃO PODE FAZER ESSA ORAÇÃO QUEM NÃO VÊ A HUMANIDADE COMO UMA GRANDE IRMANDADE. Invocar Deus como Pai nosso, sem ver o outro como irmão é a mais absurda incoerência religiosa. Podemos definir a oração do “Pai nosso” como comprometedora, já que de forma explicita me compromete em ter o outro como irmão, a partir do momento que oro “Pai nosso”.

NÃO PODE FAZER ESSA ORAÇÃO QUEM NÃO SE ENTREGA AO GOVERNO AMOROSO DE DEUS. Orar pedindo que o governo de Deus se manifeste e que sua vontade seja estabelecida sem me comprometer com essa verdade, fazendo do meu coração um trono pra Deus é descaracteriza-lo, reduzindo-o a um ser que sua única missão é satisfazer nossas vontades. É preciso urgentemente vermos a oração, não como um meio de Deus fazer nossa vontade, mas de nós fazermos Sua. Quem assim crer e vive, pode orar “venha o teu Reino”.

NÃO PODE FAZER ESSA ORAÇÃO QUEM CHAMA DE MEU AQUILO QUE JESUS AFIRMOU QUE É NOSSO. “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”. Esta oração não somente roga para que recebamos o que nos é necessário, mas também que sejamos capazes de compartilhar com os outros o que recebemos. Todos aqueles que veem as bênçãos de Deus como algo exclusivo seu não pode fazer essa oração. As benção de Deus não podem ter um fim em nós, tudo que recebemos pela Graça de Deus tem como objetivo a partilha.

NÃO PODE FAZER ESSA ORAÇÃO QUEM NÃO REPASSA A DÁDIVA DO PERDÃO. Afirmei que tudo que chega até nós pela Graça de Deus tem como propósito chegar também aos outros e isso inclui o perdão. Quem não vive o repasse da dádiva do perdão recebido não pode orar “perdoa-nos as nossas dívidas”. A parábola do “Credor incompassivo” de Mateus 18.23, revela a indignação de Deus para com aqueles que recebem o perdão de uma dívida impagável, mas que não são tomados de assombro e de Graça para fazerem o mesmo com aqueles que lhes devem míseros centavos.

Orar o “Pai nosso” é bem mais que o recitar de uma petição, é um convite ao comprometimento com as verdades nela contidas. Mais que uma verbalização devocional, dever ser uma prática vivencial.

Weslei Pinha


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