PECADO NOSSO

“E perdoa-nos as nossas dívidas…” Mateus 6.12

É interessante como Mateus usa em seu evangelho a palavra “dívida” para se referir ao pecado. É possível que essa associação esteja ligada a sua antiga atividade de publicano (cobrador de impostos). Mateus entende que quando pecamos, seja contra Deus ou o próximo, logo contraímos com estes uma “dívida”, que é cancelada quando somos graciosamente perdoados.

Assim como a oração não nos ensina a orar apenas pelo “meu pão”, mas pelo “nosso pão”, ela também nos conduz a não orar apenas pelos “meus pecados”, mas pelos “nossos pecados”. Dessa forma, mantem-se o senso comunitário e plural da oração, que insiste na manutenção de um estilo de vida que nos leva a considerar as necessidades físicas (Pão) e espirituais (Santidade) do outro.

O que Jesus deseja para seu povo é que os pecados, defeitos e limitações do irmão, ao invés de serem alvos de julgamentos, condenações e criticas cruéis, que sejam alvos de nossa misericordiosa oração. É colocar diante de Deus e não diante dos ouvidos alheios aquilo que consideramos como desvios de comportamento e doenças de alma para que haja mudança e transformação.

Refletindo sobre o assunto, Ziel Machado, pastor da Igreja Metodista Livre Nikkei em São Paulo, SP, afirma: “A fragilidade do outro não é um playground para minha prepotência, não é um lugar para ostentar minhas ‘fortalezas’. A fragilidade do outro é meu espaço de cuidado, de ministério, de ação redentiva, um lugar que demanda ação reverente, onde sou desafiado a servir de suporte para que o outro possa superar suas debilidades. A fragilidade do outro deve ser meu campo missionário…”

Jesus restaura nossa verdadeira humanidade nos mostrando que as imperfeições das pessoas não devem ser alvos do nosso escárnio, mas das nossas orações.

Weslei Pinha


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