PAI PRÓDIGO

O filho mais novo da parábola de Lucas 15.11 é alguém enfadado e descontente com tudo que lhe rodeia. Ele deseja se ver livre das regras paternas e viver de forma autônoma. Para isso o jovem precisa de dinheiro e a única possibilidade de levantar esse recurso é reivindicando um terço de tudo que o pai possui e que lhe era garantido pela lei (Deuteronômio 21.17).

Sem levar em consideração sua cruel insensibilidade o jovem diz: “Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence”. Reivindicar a herança estando o pai ainda vivo era de uma afronta sem precedentes. Certamente esse jovem esperava pela morte do pai, mas como isso não ocorreu ele antecipa-se “dá-me a parte dos bens”.

O pai sem levantar questionamentos, visto que compreendia a necessidade do filho aprender algumas lições, lhe entrega sua parte da herança. Em pouco tempo o filho pródigo, gastador, esbanjador, dissipa toda a sua herança. Em meio profunda miséria entre porcos e desejando da sua comida, ele cai em si e marcha humilde e resoluto de volta para o lugar de onde não deveria ter saído.

Será que o pai o receberá? E se receber, será como filho ou como um dos seus empregados?

A mais famosa parábola de Jesus não nos fala apenas um filho pródigo, ela também nos apresenta um pai pródigo.

A lei previa morte para quem desonrasse os pais (Deuteronômio 27.16), mas ao invés de receber o devido castigo, o rapaz é recebido com festa. Ao invés de ser ignorado é abraçado e beijado. Ao invés de receber punição, recebe perdão.

Se o filho foi pródigo em ralação à herança, o pai foi pródigo em ralação o perdão. Sem restrição, com liberalidade o pai esbanjou e distribuiu perdão. Semelhante a esse pai da terra é o nosso Pai do céu, pródigo em perdoar filhos profundamente arrependidos. Generoso e magnânimo em oferecer perdão aos filhos que fazem o caminho de volta.

Semelhante ao Deus pródigo devem ser seus filhos, sem limites e burocracia para o perdão. “…Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. Mateus 18.22

Weslei Pinha


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