O USO DA RELIGIÃO NA POLÍTICA

O Reino de Israel até então unificado em suas doze tribos ou estados após o período dos Juízes e das três primeiras Monarquias (Saul, Davi e Salomão) viveu uma grave e definitiva divisão por volta do ano 930 a.C. no início do governo de Roboão, filho de Salomão. Descontentes e revoltados com um sistema de trabalho forçado que havia sido imposto por Salomão, encontrou não apenas continuidade em Roboão, mas maior severidade. Isso fez com que dez das doze tribos de Israel rompesse a ligação com a dinastia davídica, instituindo para si Jeroboão, filho de Nebate, um “exilado político” dos tempos de Salomão rei sobre eles.

Com a divisão, a configuração da nação se alterou, sendo o Reino do Sul, também chamado de Reino de Judá, formado por duas tribos, Judá e Benjamim, tinha como capital Jerusalém. As dez tribos dissidentes, o Reino do Norte, chamado Reino de Israel, passou a ter como capital Samaria.

Após essa nova configuração nacional, sem a necessidade de uma guerra civil, algo ainda angustiava ao coração de Jeroboão – O deslocamento do seu povo para o culto a Deus no Templo erguido por Salomão, situado em Jerusalém, no Reino do Sul. O escritor bíblico do livro dos Reis explica do porquê de sua inquietação:

“Do jeito que as coisas estão, se o meu povo for a Jerusalém oferecer no Templo sacrifícios ao Senhor Deus, os corações deles vão se inclinar para o lado de Roboão, rei de Judá e eles me matarão”. I Reis 12.26,27

Depois de assim refletir, Jeroboão teve uma “brilhante” ideia – Fazer uso da religião para solucionar seu dilema político. “Ele fez dois touros de ouro e disse ao seu povo: Já chega de ir a Jerusalém para adorar a Deus. Povo de Israel, aqui estão os seus deuses, que tiraram vocês do Egito! Ele colocou um dos touros de ouro em Betel e o outro em Dã. E assim o povo pecou, indo adorar em Betel e em Dã (…) Jeroboão também deu ordem para que houvesse uma festa religiosa no dia quinze do oitavo mês, como a festa que se realizava no Reino de Judá. I Reis 12.28,29; 32

A escolha de Jeroboão por estes dois territórios foi brilhante. Um território situava-se na parte mais ao norte, e a outra, na mais ao sul do seu reino, dessa forma oferecia certa facilidade de deslocamento ao povo em seu vasto território. Além disso, criou na mesma data uma festa religiosa local para concorrer com a popular Festa dos Tabernáculos celebrada em Jerusalém. 

Jeroboão não foi o primeiro, nem tampouco o último a usar dessa artimanha, visando interesses políticos. Visitar espaços religiosos, declarar fé em “Deus”, conversão ao cristianismo e citar versos bíblicos são algumas das estratégias de muitos líderes políticos ao longo da história. Esses malandros da Política não passam de “camaleões” que se vestem de uma capa de religiosidade visando o apoio e o voto de um seleto grupo social que ingenuamente creem em sua suposta espiritualidade. Vigiai!

Quem tem ouvidos que ouça!

Weslei Pinha


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