O PRÓDIGO MAIS VELHO

Acredito que o mais acertado seria intitular essa parábola não de “A Parábola do Filho Prodigo”, mas “A Parábola DOS Filhos Pródigos”. Digo isso porque prodigo é aquele que esbanja, gasta demasiadamente, que desperdiça. Sendo assim, se o filho mais novo desperdiçou ou desprezou a comunhão com o Pai indo para longe, o filho mais velho o desprezou estando perto, estando debaixo do mesmo teto.

É preciso entender que Jesus ao contar essa história, fala para dois diferentes grupos de ouvintes segundo Lucas 15.1,2. Um grupo é o de pecadores, são publicanos, beberrões e prostitutas. Os quais eram considerados indignos de Deus. O outro grupo era formado pelos religiosos, fariseus e mestres da lei. Estes se consideravam sãos, e não careciam de médicos. Na parábola, o filho mais novo representa o grupo dos pecadores, os quais estão distantes de Deus por seus pecados, mas que, assim como o Pai da parábola, Deus os espera de braços abertos. O filho mais velho, o que ficou em casa representa os religiosos, os quais mesmo sendo judeus e tendo a lei e o templo, eram distantes do Deus Pai.

A parábola do filho prodigo não é apenas uma mensagem de amor para com o perdido, mas uma dura critica a religiosidade. Veja:

O FILHO MAIS VELHO NÃO CONSIDERA O IRMÃO

Ele diz ao questionar o Pai: “Vindo, porém, este teu filho…”.

O correto era ele dizer: veio meu irmão… Mas como ele não desconsidera o irmão ele diz: “Este teu filho”.

A religião verdadeira não busca apenas uma relação com o Divino, ela deve se estender ao semelhante. Não apenas considerar Deus, mas também o próximo. Infelizmente essa também é uma marca do religioso moderno, a falta de consideração por aqueles que foram feitos a imagem de Deus.

O FILHO MAIS VELHO SÓ ENVOLVE COM AS COISAS DO PAI

Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos.

A relação do filho mais velho não era com o pai, mas com as atividades.

Existe uma grande diferença (às vezes imperceptível por muitos) entre se relacionar com Deus, e apenas se relacionar com as coisas de Deus. Muitos filhos estão envolvidos com a obra de Deus, mas não estão envolvidos com o Deus da obra. Deus não quer que sejamos apenas servos, ele quer que sejamos também filhos.

O FILHO MAIS VELHO CONFIA EM SEUS ATOS DE BONDADE 

Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos. 29

Ele reivindica a atenção do pai com base naquilo que ele faz, em sua bondade, através de seus atos de justiça.

E quantos de nós agimos assim. Chegamos até Deus e afirmamos: “Senhor eu mereço, tu sabes o que tenho feito”.

Precisamos entender de uma vez por todas que as bênçãos de Deus, não constituem em atos de merecimento, mas da sua maravilhosa graça.

O FILHO MAIS VELHO É RÍGIDO

Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste o bezerro cevado.

O filho mais velho não aceita que seu irmão seja perdoado pelo pai. Ele não aceita que seu irmão seja recebido de volta pelo pai, e pior, com toda aquela celebração, após ter desperdiçando todos os bens do pai.

Assim como o filho mais velho, os religiosos modernos são extremamente  rígidos. Uma rigidez que não passa de mandamentos de homens, que nada mais é do que uma falsa santidade. Quando a isso Jesus critica os fariseus: “Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los”. Mateus 23:4

Por tudo isso eu digo: MAIS INTIMIDADE E MENOS RELIGIOSIDADE!

Weslei Pinha


Deixe seu comentário