O PECADO DO OUTRO

Um dia vi minha filha Fernanda fazer algo dentro de casa que provocou em mim uma ligeira revolta. Achei feio, inapropriado e inaceitável. Mas em segundos, a indignação pela ação dela, se transformou em uma indignação por mim mesmo, visto que minha censura por sua ação tratava-se de algo que eu também praticava. Nada mais que a manifestação da hipocrisia nossa de cada dia. Do fariseu que ainda existe em mim!

Sabe por que dessas e outras incoerências? Porque o pecado do outro sempre é mais grave e feio do que nosso. Somos rigorosos e intolerantes com os erros alheios, enquanto que com os nossos, somos passivos, flexíveis e indulgentes. Não poucas vezes apequenamos nossos erros e os justificamos das formas mais bizarras e infantis.

Diante dessa atitude claramente hipócrita e farisaica, danoso ao nosso amadurecimento, bem como as nossas relações com os outros, urge a necessidade do desenvolvimento de três virtudes: 1 – Lucidez para se alto perceber, alto enxergar-se. Há um jargão popular que diz: “Fulano não se enxerga”. Na verdade muitos de nós não nos enxergamos muito bem. Lucidez é ter clareza não apenas de nossas virtudes, mas também dos nossos muitos defeitos, pecados e fragilidades. 2 – Humildade para que em uma atitude honesta perceba-se o quando o seu erro também é sério e merece ser alto censurado e corrigido. 3 – Paciência, pois se o pecado do outro também é o seu, então não fará o menor sentido ser odioso e intolerante.

Um lado positivo à fé e a vida quanto ao reconhecimento das nossas imperfeições é o desenvolvimento de um olhar misericordioso em relação ao irmão faltoso. O que culminará em um profundo desejo de transformação e mudança, tanto na vida dele (ou dela), quanto na nossa. É preciso entender que todos estamos em semelhante condições de precariedade espiritual e moral, por isso atitudes de tolerância, misericórdia e amor são muito bem vindas.

Sei quão duras são as palavras de Jesus em Mateus 7, mas elas são de igual modo relevantes nessa hora: “Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu”?

Weslei Pinha


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