O PASTOR É DE DIREITA OU DE ESQUERDA?

Chegará um dia (acho que já chegou) que as igrejas terão como um de seus critérios para aceitação de um pastor ao ministério pastoral a sua posição político-ideológica – “O pastor é de direita ou de esquerda”? Já antevejo essa pergunta sendo feita em muitas sabatinas de processos de sucessão pastoral. Se os líderes (“donos”) da igreja forem de esquerda e o pastor de direita em sua posição político-ideológica o processo pode sofrer aqui, nessa questão um sério entrave. Segue-se obviamente o exemplo contrário, que sem dúvidas será o caso mais recorrente.

Mas se o pastor segue a filosofia do “nem-nem” – nem Esquerda, nem Direita; nem comunismo, nem capitalismo; nem Lula, nem Bolsonaro. Este também pode não agradar tais lideranças, pois será percebido como um pastor-líder “morno”, sem definição ou sem coragem de posicionamento (como se estas fossem as únicas formas de se perceber a política, a vida e o mundo). 

É incrível pensar como a nossa polarização política pode ter afetado até mesmo nossos processos de sucessão de pastores nas comunidades de Jesus. É importante lembrar que o divino e majestoso evangelho de Jesus é ultra político-ideológico, Ele está acima das imperfeitas ideias que movem a direita e esquerda. Equivoca-se quem pensa que a mensagem do Cristo está mais a direita ou mais a esquerda, visto que Ela não se encaixa, não se limita a tais padrões humanos. Sou do grupo “nem-nem”, pois alinhado ao evangelho do Reino de amor, justiça, paz e graça do Cristo, percebo injustiças, imperfeições e limitações em todas essas instâncias. Seria isso uma visão escapistas ou extremada da minha parte? De forma alguma! O que penso é que não podemos de forma simplória e conveniente demonizar o comunismo e santificar o capitalismo, pois este também carrega suas malignidades (vice-versa).

Antes que seja acusado de ignorante, creio sim que o cristão pode e deve como cidadão livre e ser pensante exercer suas preferências político-ideológica, o que ele não pode, segundo o pastor presbiteriano Timothy Keller em seu livro “Deuses Falsos” é ver nossos líderes políticos como “messias”, nossas agendas políticas como doutrinas salvadoras e nosso ativismo político uma espécie de religião.

Que os pastores e as igrejas de Cristo mirem a cruz!

Weslei Pinha


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