O discípulo como promotor de Alegria

O primeiro milagre de Jesus realizado na cidade de Caná da Galileia transformando água em vinho, não revela apenas a grandeza do seu poder, mas também muito de sua personalidade.

Na cultura e tradição judaica o vinho era parte indispensável à vida e as comemorações. “Sem vinho não há alegria”, diziam os rabinos. Não é que as pessoas fossem alcoólatras; mas no Oriente o vinho era essencial, afirma Barclay.

Os casamentos judaicos duravam uma semana, por isso o noivo deveria ter uma quantidade adequada de suprimentos. A falta de qualquer suprimento na festa constituía um grave vexame. Faltar vinho então era uma tragédia. E foi o que aconteceu nas bodas celebradas em Caná. Nesse momento de profundo constrangimento Maria, mãe de Jesus e provável responsável pela festa, recorreu ao filho e Mestre: “Não têm vinho”. Nessa hora, o Cristo de Deus, o mais santo dos homens, revelou ao mundo tanto sua divindade, como sua humanidade. Divindade principiando ali suas ações miraculosas, humanidade revelando uma personalidade alegre, vibrante e entusiasmada com a vida.

“A festa não pode parar”, “a alegria não pode parar”, “vamos continuar a se alegrar com os noivos”. Foram algumas prováveis palavras ou pensamentos de Jesus naquela hora. A água foi então milagrosamente transformada em vinho e a festa prosseguiu.

Se Jesus fosse um dos muitos cristãos que conheço, esse milagre nunca teria acontecido. Isso porque diferente do Mestre, eles são sérios, fechados, mal-humorados e tristes. Ao invés de transformarem a água em vinho, teriam agradecido a Deus pelo fim dele, o que culminaria no término de toda aquela algazarra. Esses veem a seriedade como expressão de genuína espiritualidade e a alegria, o riso, a brincadeira como ausência dela. Foi exatamente isso que me ensinaram nos meus primeiros anos de fé. Concordo com o Pastor Caio Fábio quando diz que a falta de festa na vida é evidência da religião farisaica típica dos tempos de Jesus.

Jesus foi um promotor de alegria por onde passou, não deixou apenas a festa em Caná acabar, promoveu alegria através de sua presença geradora de luz e garça, bem como por meio de suas palavras e ações de compaixão. Os discípulos de Jesus devem imitar seu Mestre nesse particular, além de pessoas alegres e vibrantes com a vida, devem ser promotores dessa alegria por onde passarem. Felipe foi exatamente isso, um promotor de alegria. Por meio de sua vida cheia de Deus, promoveu alegria em toda uma cidade (Atos 8.8) por meio da mensagem do Reino, que nada mais é do que “…Justiça, paz e alegria no Espírito Santo”. (Romanos 14.17).

Weslei Pinha


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