O CALCANHAR DE AQUILES EM DAVI

Diz a mitologia grega que quando Aquiles ainda era um recém-nascido, foi predito que ele morreria jovem. Sua mãe em busca de sua longevidade o levou ao rio Estige, que por meio de suas águas daria o poder da invulnerabilidade a Aquiles. Ela então mergulhou seu corpo, porém, já que o segurava pelos calcanhares, eles não foram lavados pelas poderosas águas do Rio Estige. Assim Aquiles cresceu e se tornou um grande e temido guerreiro vencedor de grandes batalhas, mas que carregava uma fraqueza em seus calcanhares. Um dia, ainda jovem, foi ferido por uma flecha no calcanhar, o que o levou a sua derrota e morte.

Por volta de 1840 o escritor inglês Samuel Taylor, utilizou pela primeira vez a expressão “Calcanhar de Aquiles” de forma alusiva ao ponto fraco ou área mais vulnerável de uma pessoa.

Historicamente as religiões judaico-cristãs nutrem profunda admiração pelo filho mais novo de Jessé. Davi é admirado por sua habilidade de guerra; Capacidade Política; Belos e inspiradores poemas, bem como sua espiritualidade profunda e tocante. Mas mesmo Davi sendo tudo isso e muito mais, ele também tinha seu “Calcanhar de Aquiles”. Em meio tanta força, Davi tinha seu ponto fraco. Sua maior fraqueza não estava para além do palácio real, mas bem próximo. Exatamente dentro de sua casa. O “Calcanhar de Aquiles” em Davi estava no ambiente familiar, na vida em família. Como disse certo pregador: “A Bíblia não esconde os erros e pecados de seus heróis”.

Comprove este ponto fraco de Davi através do trágico relacionamento com seu filho Absalão.

 A Bíblia diz que Absalão tramou com êxito a morte do próprio irmão por parte de pai, Amnom. Depois desse crime, Absalão fugiu para a casa do avó materno que ficava na cidade de Gesur. Ali permaneceu três anos sem ter nenhum contato com o pai. Percebendo Joabe, General do exercito de Davi, que o rei sentia falta de Absalão, o repatriou de Gesur para Jerusalém. Quando Absalão chegou em Jerusalém Davi deu a seguinte recomendação a Joabe: “Ele irá para casa dele e não virá a minha presença…” II Samuel 14.28 afirma que Absalão morou dois anos inteiros em Jerusalém sem ver a face do pai.

Absalão já em profunda agonia pela falta de contato e diálogo com o pai há cinco anos, chama Joabe para que este lhe coloque na presença do rei. Por duas vezes Absalão chama Joabe, mas ele não o atende. Até que para chamar a atenção de Joabe, Absalão ordena seus servos coloquem fogo em sua plantação de cevada. Nesse momento Absalão ganha a atenção de Joabe, que  apresenta o seguinte pedido:

“…Agora, pois, veja eu a face do rei; e, se há ainda em mim alguma culpa, que me mate”. II Samuel 14.32

Por fim, depois de mais cinco anos, Davi recebe o filho Absalão. Porém, mais uma vez revelando sua incapacidade de diáogo familiar, ele não diz nada a Absalão, apenas o beija e o dispensa. II Samuel 14.33

O homem que era próximo de Deus era distante dos filhos. O herói nos campos de batalhas era um vilão no ambiente familiar. O homem que ganhava o mundo perdia a família. Davi era um ótimo rei, mas era um péssimo pai!

É verdade! A vida de um líder nacional é altamente comprometida. Guerras que duravam anos, reuniões militares e administrativas, julgamentos, assuntos econômicos etc, etc e etc. Um pai de muitos filhos e de pouco tempo.

Mas mesmo diante de tantas obrigações, Davi precisava entender (e nós também) que sua maior missão não era ser Rei e sim ser pai. Como consequência de sua ausência, seus filhos manifestaram profundas doenças na alma, bem como terríveis desvios de comportamento. Um pai ausente e muitos filhos doentes!

Weslei Pinha

 


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