ELE SE FEZ MALDITO

Durante o tempo em que imperou a Lei de Moisés os criminosos e desobedientes punidos com a pena de morte eram executados (Na maioria das vezes por apedrejamento) e pendurados a uma árvore fora da cidade para servir como exemplo público. Uma pessoa que sofria a punição de ser pregado ao madeiro ou a uma árvore deveria ser considerado maldito por todos. Ver Deuteronômio 21.22,23

O Dicionário de Língua Portuguesa classifica maldito como alguém muito mal, perverso ou aquele que carrega uma maldição. Maldição por sua vez também segundo o Dicionário é alguém que carrega uma praga. O teólogo e escritor John Stott fazendo uma leitura teológica da palavra, afirma que maldito é aquele que foi rejeitado por Deus.

O rótulo ou a qualificação de maldito sobre quem passasse pela infeliz experiência do madeiro atravessou gerações até a invenção da crucificação pelos assírios e seu aperfeiçoamento e popularização por meio dos romanos. Diante disso quando Jesus foi crucificado todos que estavam no Calvário o reconheceram como alguém maldito, aquele que carregava uma maldição ou que havia sido rejeitado por Deus.

Ao escrever aos Gálatas Paulo afirma que de fato ao ser crucificado, pesou sobre o Cristo de Deus uma maldição:  Mas Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito. Gálatas 3.13,14

Quando Paulo afirma: “Mas Cristo nos resgatou da maldição da lei…” Ele não está dizendo que a lei é maldita. Tanto que aos Romanos ele afirma que a lei é Santa (Rm. 7.12). E escrevendo a Timóteo em sua primeira carta ele afirma que a lei é boa (I Tm.1.8). Então o que foi essa maldição da lei que Cristo nos resgatou?

A maldição da lei é a ira de Deus sobre os desobedientes a própria lei (Gálatas 3.10). A lei denuncia nossa incapacidade de atingir as exigências do Deus Santo, revela nossa natureza rebelde e aponta para nossa total perdição.

Por isso, para que não fosse a humanidade alvo da impiedosa ira de Deus, Ele, o mais Santo e Perfeito dos homens assumiu toda a revolta Divina. O mais bendito dos homens, carregou sobre si não somente a cruz, mas toda a nossa maldição!

 “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. II Coríntios 5.21

 Na cruz a ira de Deus contra o pecado e o pecador caiu sobre Cristo. Ele se fez maldição aos olhos humanos e assumiu a maldição aos olhos Divinos. Diante do peso da maldição da humanidade que recaia sobre Ele, o Pai o abandonou na Cruz. O Pai sempre Santo Dele se afastou. Por isso que por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”, que significa “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?” Mateus 27.46

Lembra da definição de John Stott para maldito? Aquele que foi rejeitado por Deus. Cristo, o Filho, por um momento rejeitado pelo Pai, por assumir uma culpa, uma maldição que não era Dele, mas minha e sua.

Ele sofreu nossa rejeição e carregou nossa maldição. Foi condenado para que fossemos salvos e amaldiçoado para que fossemos abençoados!

Weslei Pinha

 


Deixe seu comentário