Coronavírus e o Carnaval Rio, nada a ver

Creio que pessoas religiosas ou com inclinações religiosas tem forte tendência em associar a maioria das tragédias com um suposto juízo de Deus. É só acontecer uma desgraça, que logo surgem uma avalanche de imagens e vídeos nas redes associando a última tragédia com um julgamento Divino. O que muito me enche de revolta e vergonha, pois evidencia uma total falta de conhecimento do Deus Eterno, além de revelar ausência de empatia pelos que sofrem.

Dois exemplos Bíblicos evidenciam essa nossa inclinação em associar tragédias ao juízo Divino. 1) Os “amigos” de Jó. Elifaz, Bildade e Zofar, escandalizados e estarrecidos com as múltiplas e repentinas tragédias sofridas por Jó, não perderam tempo em determinar que tudo aquilo era o juízo de Deus sobre a sua vida face algum pecado cometido. Todos sabemos que eles estavam errados. 2) Os Discípulos de Jesus e o cego de nascença de João 9. O texto diz que ao contemplarem um cego de nascença os discípulos questionaram: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego”? Percebam que a pergunta vem carregada de suposições. Mas assim como os “amigos” de Jó (e muitos hoje), os discípulos também erraram em associar a dor humana ao juízo Divino.

Sei que aqueles que gostam de exaltar a santidade e a justiça de Deus, já começaram a pensar nas vezes que Deus executou severo juízo sobre indivíduos e nações, correto! Não nego de forma alguma que Deus julga, os exemplos estão aí, desde o Egito até Ananias e Safira. Minhas crises e questionamentos sobre essa postura de associar tragédia ao julgamento Divino são três: 1º – Toda tragédia é juízo de Deus? Pois muitos se comportam como se fosse. 2º – Se o sofrimento humano, bem como as tragédias, muitas vezes constituem-se em algo misterioso, por que gostamos de julgar e determinar suas causas? 3º – Por que as pessoas gostam tanto de exaltar a justiça de Deus e propagam tão pouco sua graça e amor?

Além desses motivos, penso também que não há relação alguma entre o coronavírus e o carnaval do Rio (como muitos afirmam), por aquilo que é ensinado nas escrituras em Ezequiel 18.20:

“…o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele”.

É herético e ilógico pensar que Deus fez um vírus surgir na China e veio matando gente em toda Ásia e Europa, até chegar aqui para ceifar milhares de vidas que nada tem haver com o carnaval do Rio de Janeiro. O que não quer dizer que eu concorde com o que aconteceu no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Mas a relação entre uma coisa e outra não é nenhum pouco sensata e muito menos cristã.

Um dia falando sobre esse assunto alguém me questionou citando Gálatas 6.7, que diz: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. Foi então que respondi da seguinte forma: “Paulo está falando da responsabilidade individual, da consequência que recai sobre mim pelos meus pecados e não com está sendo pensado equivocadamente, erros dos outros afetando pessoas inocentes quanto a suposta causa em questão”.

Por tudo isso, prefiro me eximir de qualquer julgamento e orar pelos que sofrem, revelando a eles compaixão e a graça de Cristo!

Weslei Pinha


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