CORINGA OU JOSÉ?

Cotadíssimo a indicações de prêmios do Oscar de 2020, “Coringa” (Joker) de Todd Phillips não tem rendido apenas milhões de dólares em arrecadações, mas muitas críticas, discursões e polêmicas. Na China o governo proibiu a exibição do filme considerado inadequado para o momento, já que Hong Kong enfrenta uma onda de protestos.

Diferente dos filmes de super-heróis de Hollywood, este não tem como protagonista um herói com superpoderes, mas um vilão que vive dramas psicológicos. Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) que sonha em fazer carreira como comediante trabalha em uma agência de aluguel de palhaços em Gotham City por volta da década de 70. No filme Arthur Fleck é um homem neurótico, que convive com um passado de traumas e um presente marcado por desafetos, agressões e injustiças. Profundamente afetado por toda uma avalanche de males e perdas, ele se transforma em um monstro e, como Coringa decide devolver ao mundo o mal recebido.

Coringa é um exemplo exagerado, mas verdadeiro de que “A arte imita a vida”. Não são poucos os casos e exemplos daqueles que ao sofrerem algum tipo de abuso, injustiça e perda, são tomados de profundos ressentimentos, mágoas e revoltas, decidem por pagar “mal com mal”, “agressão com agressão” “violência com violência”, “morte com morte”.

Seguindo essa linha de raciocínio bem como o exemplo da ficção, o personagem Bíblico do Gênesis, José (filho preferido de Jacó), tinha tudo para ser um “Coringa” da antiguidade, perceba: Perdeu a mãe ainda na infância; Na adolescência foi odiado por todos os irmãos, o que resultou em sua venda para mercadores que iam para o Egito; Na terra das pirâmides foi vendido mais uma vez; Tornou-se escravo; Foi acusado falsamente de tentativa de estrupo; Foi preso injustamente.

Assim como no caso do “Coringa” de Todd Phillips, a vida de José também foi marcada por sucessivas injustiças, males e perdas. Porém, ao contrário do maior vilão de Hollywood, José ao se tornar Governador do Egito não aderiu à vingança como caminho, mas a paz e o perdão. Um bem não apenas feito aos seus algozes, mas a si mesmo.

Até que o Reino do Cristo se manifeste em sua plenitude, nossa “Gotham City” continuará sendo um ambiente de descasos, dores e injustiças. Diante delas, não seja Coringa, seja José.

Nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor. Pelo contrário: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem. Romanos 12.19-21

Weslei Pinha


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