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Artigo

JUSTIFICATIVAS DE ALGUNS CRISTÃOS PARA NÃO DEVOLVER O DÍZIMO

Eis as possíveis explicações para metade dos cristãos não serem Dizimistas:

JUSTIFICATIVA TEOLÓGICA
“Dízimo é coisa do Antigo Testamento”, afirmam eles. Se esquecem que o principio da generosidade é ainda maior em Jesus.

JUSTIFICATIVA OBSCURA
Muitos dos nossos irmãos não devolvem o Dízimo porque são avarentos, são extremamente apegados ao dinheiro. E por não reconhecerem esse grave pecado se utilizam de outras desculpas.

JUSTIFICATIVA SENTIMENTAL
“Cada um contribua segundo tiver proposto no coração” (II Co 9.7). Infelizmente muitos usam esse texto para serem mesquinhos no dizimar e ofertar.

JUSTIFICATIVA ORÇAMENTÁRIA
Não são dizimistas porque não conseguem administrar bem o orçamento. Estão sempre endividados.

JUSTIFICATIVA ASSISTENCIAL
“Prefiro dar meu dízimo aos pobres”. Prefiro eu mesmo administrar meu dízimo.
Não é isso que a Bíblia ensina.

JUSTIFICATIVA ECLESIOLÓGICA
“Não sou membro da igreja”. Nosso compromisso com o Dízimo não começa quando nos tornamos membros da igreja, mas quando decidimos seguir a Cristo numa igreja local.

Que atitude vamos tomar? Nosso coração está onde está o nosso tesouro. Se buscarmos em primeiro lugar o Reino de Deus, não vamos ter problemas com o dízimo.

Hernandes Dias Lopes, adaptações Weslei Pinha

 

O PAI NOSSO e EU

“PAI NOSSO”
Que a cada dia eu lhe perceba como um Pai e meu próximo como irmão.
“QUE ESTÁS NOS CÉUS”
Que eu tema sua transcendência e me apaixone por sua imanência.
“SANTIFICADO SEJA O TEU NOME”
Que através de palavras ou ações eu respeite teu Santo nome.
“VENHA O TEU REINO”
Venha teu soberano governo sobre mim.
“SEJA FEITA A TUA VONTADE, ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU”
Que meu querer seja o teu.
“O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DÁ HOJE”
Que eu viva seguro em tua provisão graciosa e perceba tais provisões como algo a ser repartido.
“E PERDOA AS NOSSAS DÍVIDAS”
Que eu veja o pecado do meu irmão não um alvo da minha crítica cruel ou zombaria, mas como objeto da minha compaixão e oração.
“ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS AOS NOSSOS DEVEDORES”
Que o impacto amoroso do teu perdão me leve a perdoar.
“E NÃO NOS CONDUZAS À TENTAÇÃO, MAS LIVRA-NOS DO MAL”
Que eu reconheça que a vontade e a capacidade de lhe obedecer vem de ti.
“PORQUE TEU É O REINO, E O PODER, E A GLÓRIA, PARA SEMPRE”.
Que eu entenda de uma vez por todas, que “dele e por ele, e para ele, são todas as coisas”. Rm. 11.36
Weslei Pinha

AMOR UTILITÁRIO

E cresceram os meninos, e Esaú foi homem perito na caça, homem do campo; mas Jacó era homem simples, habitando em tendas. E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó. Gênesis 25.27,28

Qual é a causa ou motivo do amor dos pais por seus filhos nesse texto? Certamente uma pergunta fácil de ser respondida. Isaque amava, tinha preferência por Esaú por ele ser caçador, essa habilidade de caçar colaborava bastante com as necessidades da casa. Qual pai não se alegra com um filho que colabora com os custos da família? Rebeca por sua vez tinha maior preferência pelo filho mais novo, Jacó. O texto diz que enquanto Esaú era alguém para além dos limites do lar, Jacó por sua vez era mais caseiro e como resultado disso auxiliava sua mãe nos serviços domésticos.

Isaque e Rebeca erraram como pais não só porque revelaram uma nítida predileção quanto aos filhos, algo nocivo ao ambiente familiar, mas porque também desenvolveram esse “amor” ou preferência com base em interesses pessoais. Deveriam ter amado seus filhos pelo simples fato de serem filhos e não pelos benefícios que lhes proporcionavam por suas capacidades e habilidades.

Eu acho muito interessante como o mundo e os homens continuam os mesmos. O erro ou pecado de Isaque e Rebeca, que chamo de “amor utilitário” é ainda mais comum em nossos dias. Amor utilitário é um falso amor, é amar com base em competências e habilidades. É amar não pelo que a pessoa É, mas pelo que ela FAZ. É si interessar por alguém não por suas qualidades morais, mas por sua beleza, riqueza, inteligência, influência, fama ou espiritualidade.

Isso nada mais é que a objetificação da pessoa. É quando sem perceber ou percebendo, transformamos as pessoas a nossa volta em meros objetos a serem usados. E quando estes perdem suas capacidades são logo descartados, assim como um micro-ondas que não mais atende as necessidades de uma casa. É exatamente isso que fazemos quando o que sentimos pelos outros é mero fruto de utilitarismo.

De forma bem pessimista, o escritor Paulo Brabo afirma em seu livro “A Bacia das Almas” que vivemos em um mundo que ninguém ama quem não tem nada a oferecer. Nossa tendência mais natural é amar as pessoas pelo que são capazes de fazer. Isso é tão verdade que muitos temem a aposentadoria e perda de suas capacidades, por que no fundo sabem que perda das habilidades os fará menos atraentes e menos dignos de amor aos olhos dos outros.

Paulo, o apóstolo, afirma que Jesus nos amou a despeito de qualquer competência, capacidade ou interesses. “Ele nos amou e se sacrificou sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8). Ele nos amou sendo nós incapazes, deficientes, inabilitados, medíocres, incompletos, faltos e fracos. Esse é o perfeito amor desinteressado, que ama pelo simples fato ser. Esse tipo de amor está sem dúvidas em extinção, mas ainda pode ser encontrado em alguns poucos corações.

Weslei Pinha

 

O discípulo como promotor de Alegria

O primeiro milagre de Jesus realizado na cidade de Caná da Galileia transformando água em vinho, não revela apenas a grandeza do seu poder, mas também muito de sua personalidade.

Na cultura e tradição judaica o vinho era parte indispensável à vida e as comemorações. “Sem vinho não há alegria”, diziam os rabinos. Não é que as pessoas fossem alcoólatras; mas no Oriente o vinho era essencial, afirma Barclay.

Os casamentos judaicos duravam uma semana, por isso o noivo deveria ter uma quantidade adequada de suprimentos. A falta de qualquer suprimento na festa constituía um grave vexame. Faltar vinho então era uma tragédia. E foi o que aconteceu nas bodas celebradas em Caná. Nesse momento de profundo constrangimento Maria, mãe de Jesus e provável responsável pela festa, recorreu ao filho e Mestre: “Não têm vinho”. Nessa hora, o Cristo de Deus, o mais santo dos homens, revelou ao mundo tanto sua divindade, como sua humanidade. Divindade principiando ali suas ações miraculosas, humanidade revelando uma personalidade alegre, vibrante e entusiasmada com a vida.

“A festa não pode parar”, “a alegria não pode parar”, “vamos continuar a se alegrar com os noivos”. Foram algumas prováveis palavras ou pensamentos de Jesus naquela hora. A água foi então milagrosamente transformada em vinho e a festa prosseguiu.

Se Jesus fosse um dos muitos cristãos que conheço, esse milagre nunca teria acontecido. Isso porque diferente do Mestre, eles são sérios, fechados, mal-humorados e tristes. Ao invés de transformarem a água em vinho, teriam agradecido a Deus pelo fim dele, o que culminaria no término de toda aquela algazarra. Esses veem a seriedade como expressão de genuína espiritualidade e a alegria, o riso, a brincadeira como ausência dela. Foi exatamente isso que me ensinaram nos meus primeiros anos de fé. Concordo com o Pastor Caio Fábio quando diz que a falta de festa na vida é evidência da religião farisaica típica dos tempos de Jesus.

Jesus foi um promotor de alegria por onde passou, não deixou apenas a festa em Caná acabar, promoveu alegria através de sua presença geradora de luz e garça, bem como por meio de suas palavras e ações de compaixão. Os discípulos de Jesus devem imitar seu Mestre nesse particular, além de pessoas alegres e vibrantes com a vida, devem ser promotores dessa alegria por onde passarem. Felipe foi exatamente isso, um promotor de alegria. Por meio de sua vida cheia de Deus, promoveu alegria em toda uma cidade (Atos 8.8) por meio da mensagem do Reino, que nada mais é do que “…Justiça, paz e alegria no Espírito Santo”. (Romanos 14.17).

Weslei Pinha

Há poder em nossas palavras?

A afirmação “Há poder em nossas palavras” não é encontrada em nenhum lugar das escrituras. Mesmo assim não são poucos os cristãos e até pastores que a utilizam como se fosse um versículo bíblico ou doutrina cristã. Quem  dessa afirmação se utiliza, crer que coisas boas ou ruins podem acontecer com base naquilo que falamos. Quantas vezes em meio a uma simples brincadeira ouvi pessoas afirmarem: “Cuidado as palavras tem poder, a bíblia diz que há poder em nossas palavras.” Creio que esse tipo de pensamento tem mais haver com técnicas de  autoajuda e misticismo cristão do que com teologia bíblica.

A expressão “Há poder em nossas palavras” tem sua origem na má interpretação de textos bíblicos (Provérbios 18.21; Tiago 3. 9,10; Marcos 11.23 e I Reis 17.1) que abrem portas para falsos ensinos, tais como: A Confissão Positiva, Determinismo e a moda evangélica “Profetize ao irmão que está ao seu lado” (Coisa que tenho a maior antipatia).

O entendimento de poder nas palavras humanas no movimento evangélico tem sua origem nos pastores americanos Essek William Kenyon (1867-1948) e Kenneth Hagin (1917-2003). Outro nome de destaque nessa crença é o do pastor sul coreano David Yonggi Cho (1936). No Brasil desde da popularização da teologia da prosperidade multiplicam-se os líderes das mais diferentes expressões do cristianismo que creem e ensinam sobre o uso do poder das palavras.

Analisemos os textos de Provérbios 18.21; Tiago 3. 9,10; Marcos 11.23; I Reis 17.1 e vejamos o que eles ensinam:

Provérbios 18.21 – A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto.

Aqui o sábio está falando da lei da semeadura por meio da língua. O mau uso da língua (Fofoca, calunias, julgamentos, detração) gera destruição e morte. Já seu bom uso gera paz, alegria, amor e vida. O texto nada tem haver com a materialização daquilo que falamos ou obtenção de bênçãos através do uso correto das palavras.

Tiago 3. 9,10 – Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim. 

Fica claro pelo contexto que Tiago ensina sobre a santidade da língua e não do poder das palavras como geradora de bênção divinas ou maldições diabólicas. Tiago fala da exclusividade da nossa boca para adoração a Deus e promoção do bem. A boca que exalta a Deus não pode ser de forma alguma instrumento de maledicência ou de quaisquer palavras condenas pelas escrituras.

Marcos 11.23,24 – Eu lhes asseguro que se alguém disser a este monte: ‘Levante-se e atire-se no mar’, e não duvidar em seu coração, mas crer que acontecerá o que diz, assim lhe será feito.

Jesus não ensina sobre os poder das palavras, mas sobre o poder de Deus manifestado através da oração da fé. Não é simplesmente falar ou desejar, mas orar, com o coração cheio de fé e inteiramente submisso a vontade de Deus, que segundo sua Soberania decide mover ou não o “monte”, a dificuldade, o problema. Leia I João 5.14

Mas e o caso de Elias que em I Reis 17.1, que falou, liberou uma palavra e aconteceu? 

O texto em questão diz: Vive o Senhor Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra.

Com base nesse texto muitos acreditam que é só o crente determinar algo com fé e logo Deus assina em baixo (kkkk). Mas espere aí. Deus virou o que mesmo?!

Ao ler Tiago percebemos que Elias não deu tal ordem com base em sua indignação pessoal ou em uma vontade meramente individual. Muito pelo contrário, sua ordem é fruto de uma orientação Divina por meio da oração inteiramente submissa à vontade Deus, é o que afirma Tiago:

Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós e, orando, pediu que não chovesse e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto. Tiago 5.17,18

Creio que as palavras tem poder de promover alegria e tristeza; paz e guerra; amor e ódio. Creio no poder da Palavra de Deus quando pregada por alguém ungido pelo Espírito. Creio pelas escrituras no poder terapêutico e curador das palavras, mas não creio que elas são capazes de materializar aquilo que falo, desejo ou determino. Crer dessa forma é dar a palavras humanas um poder que não lhes são atribuídas nas Escrituras.

Weslei Pinha

Perder, sem se perder

Habacuque 3.17,18 sempre foi um texto bíblico que me impressionou. Isso porque da capacidade do profeta de se alegrar e adorar em meio à escassez. Quantas vezes ao ler esse texto me perguntei: Como isso é possível? Alegria e Adoração em meio fracassos, perdas e prejuízos.

Habacuque fala que mesmo que as principais fontes de alimentos (Figos, Uvas, Azeitonas) e renda como a ovinocultura e pecuária minguarem, mesmo havendo uma verdadeira crise alimentícia e econômica, mesmo assim ele não vai abrir mão da alegria de viver, nem da verdadeira adoração. Como isso é possível? Resposta: Habacuque tinha a capacidade de perder, sem se perder.

Na vida sempre haverá fracassos, prejuízos e perdas. Que o Senhor nos dê a mesma fé de Habacuque, de perder, sem se perder. De perder coisas e não perder a fé; de perder coisas e não perder a paz; de perder coisas e não perder o sentido da vida; de perder coisas e até pessoas, mas não perder o Criador de vista!

Por isso perca, mas não se perca!

Weslei Pinha

O maior problema da Igreja

Engana-se quem pensa que o maior problema da Igreja seja o diabo e seus demônios ou a presente Era rebelde e anti-Deus a qual chamamos de mundo. Penso que o maior problema da igreja não é externo, mas interno. Não está do lado de fora, mas do lado de dentro. Paulo chama o maior problema da Igreja de crentes carnais.

Olhando para as muitas cartas de Paulo enviadas as comunidades de fé do primeiro século, é quase uma unanimidade entre os estudiosos que a igreja mais problemática era a igreja que estava em Corinto. Paulo não faz associação entre os muitos desvios dessa igreja e o diabo ou a presente Era, mas a carnalidade dos discípulos daquela comunidade.

Em algumas das oportunidades que Paulo denunciou a carnalidade daquela igreja, ele questiona: Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? I Coríntios 3.3

É importante lembrar que carnalidade (na perspectiva teológica) é o domínio ou influência da natureza caída, pecaminosa sobre as vontades, decisões e atitudes dos cristãos. Escrevendo aos Gálatas no capítulo 5, Paulo trata dessa questão, nos alertando do perigo das obras da carne suplantar o fruto do Espírito. Pensando nisso ele nos exorta: Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro… Gálatas 5.16,17

É pelo domínio ou influência da natureza caída que muitos discípulos são levados à prática de sérios pecados que comprometem e muito a comunhão da comunidade, o testemunho para com os de fora, a criação ou avanço de ações relevantes, melhor compreensão do evangelho e da vontade de Deus para suas vidas, bem como da prática dos valores do Reino. Por tudo isso, fica fácil entender e aceitar que NÓS (não o diabo ou o mundo), constituímos o principal problema da igreja através dos séculos.

Achei muito pertinente para esse momento à forma que o pastor, teólogo e escritor Luiz Sayão se expressa no prefacio do Livro “Azorrague” do Pastor Antônio Carlos Costa, Sayão diz: “Há alguns anos, depois de uma conversa com um conhecido sobre descompassos e problemas da igreja evangélica atual, ele me perguntou: Você ainda acredita na igreja de Cristo? Minha resposta foi simples e direta: Acredito e muito, pois os cristãos estão tentando destruí-la durante 2000 anos e ainda não conseguiram! A igreja só pode ter sobrevivido por milagre de Deus. Quanto absurdo e barbaridade tem sido feito em nome de Deus. De fato, o que a cristandade tem feito em sua historia marcada por heresias, divisões, conflitos, violência e maldade, impressiona e entristece qualquer discípulo de Jesus”.

Sei o quanto são duras essas palavras, mas inegavelmente elas fazem parte da história cristã. Não sou dos que acreditam que a igreja promoveu mais males, muito pelo contrário, além do valioso investimento missionário, conduzindo incalculável números pessoas ao Reino de Luz, a igreja não poucas vezes foi fiel promotora de justiça social. Mas é inegável que nem só de amor e de boas obras vive e viveu a igreja em toda sua história. As “heresias, divisões, conflitos, violência e maldade” citadas por Sayão, são evidências do seu maior problema – os crentes carnais.

Minha oração e desejo é que sejamos cada vez mais tomados e dominados pelo poder do Espírito de Deus e por uma unção de amor, para que ao invés de sermos parte do problema em nossas comunidades, nos tornemos genuínos discípulos de Cristo na promoção da paz, no avanço do Reino e no desenvolvimento de uma Espiritualidade mais Cristocêntrica.

Weslei Pinha

Como entender Romanos 13 em dias de crise política e pandemia

Creio que nunca ouvimos e lemos tanto como nos últimos meses a citação do texto Bíblico de Romanos 13.1 que diz: “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas”.

Duas perguntas sobre o ensino do apóstolo dos gentios: 1) Paulo ensina fidelidade total e irrestrita ao Estado? 2) Todo governante ou autoridade é escolhido por Deus?

A resposta para ambas às perguntas é Não! Paulo não ensina fidelidade total ao Estado. E Paulo também não ensina que toda autoridade ou governante é escolhido por Deus. Analisemos cada questão separadamente:

EM PRIMEIRO LUGAR é muito certo que para Paulo ensinar o que ensinou a comunidade de cristãos em Roma, foi pelo fato dos cristãos romanos terem alguma dificuldade em reconhecerem a autoridade dos governantes do Império Romano. Afinal eles eram pagãos, idólatras, cruéis e adversários da fé cristã. Mesmo assim Paulo assevera aos seus destinatários a necessidade de submissão às autoridades, visto que no conceito de Paulo o Estado preservava o mundo do caos. Dessa forma, Paulo incentivava nada mais nada menos que obediência às leis, pagamento de impostos e respeito às autoridades. Para Paulo o cristianismo e a boa cidadania caminham de mãos dadas. O próprio Cristo ensinou sobre isso, falou do nosso compromisso com a autoridade celestial, que é Deus, mas também do nosso compromisso com as autoridades humanas (Mateus 22.21).

Mas o mandamento “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais…” dentro do bojo total do ensino Bíblico está longe de ser uma ordem de obediência total e irrestrita ao Estado. 1) Paulo sabia que Cristo e suas leis eram superiores. 2) Deus aprovou e incentivou várias desobediências civis no Antigo Testamento (Daniel Caps. 1;3 e 6; Ester 3; Êxodo 1) 3) A Igreja Primitiva foi desobediente ás autoridades (Atos 4 e 5) 4) O próprio Paulo foi alguém que viveu não poucas vezes a margem das leis em virtude da proclamação do evangelho e dos valores do Reino de Deus.

Todos os exemplos citados acima sobre desobediência ás autoridades visavam 3 coisas: Bem estar humano e Preservação da vida; Adoração única ao Criador e cumprimento da missão de expansão da fé. Cremos que nesses pontos é louvável a desobediência civil. Porém, se opor às autoridades quanto a questões neutras, a manutenção da ordem pública e preservação da saúde e da vida humana, constituem-se pecados contra Deus “Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu…” Romanos 13.2

EM SEGUNDO LUGAR, Deus instituiu autoridades superiores para inibição do mal e promoção do bem (O que infelizmente nem sempre acontece). Entre essas autoridades não estão apenas os governantes, mas também ministros, juízes e as polícias das mais diversas ordens. “Sem o Estado, sem as leis, imperaria o mau, o egoísta e o forte. O fraco se veria em apuros. A vida seria regida pela lei da selva”. Afirma Barclay.

QUANDO PAULO AFIRMA QUE AS AUTORIDADES QUE HÁ FORAM ORDENADAS POR DEUS, ELE ESTÁ FALANDO DA INSTITUIÇÃO GOVERNO E NÃO DO GOVERNANTE. O Governo Municipal, Estadual, Federal e as demais instâncias de poder vêm de Deus, já os governantes ou demais funcionários públicos nem sempre.

Quantas vezes ouvi pessoas usarem esse texto bíblico para defenderem a eleição de seus candidatos como uma suposta escolha de Divina. Compreensão equivocada, pois a voz do povo, nem sempre ou quase  nunca, é voz de Deus!

Por mais moderação na política, Weslei Pinha.

Coronavírus e o Carnaval Rio, nada a ver

Creio que pessoas religiosas ou com inclinações religiosas tem forte tendência em associar a maioria das tragédias com um suposto juízo de Deus. É só acontecer uma desgraça, que logo surgem uma avalanche de imagens e vídeos nas redes associando a última tragédia com um julgamento Divino. O que muito me enche de revolta e vergonha, pois evidencia uma total falta de conhecimento do Deus Eterno, além de revelar ausência de empatia pelos que sofrem.

Dois exemplos Bíblicos evidenciam essa nossa inclinação em associar tragédias ao juízo Divino. 1) Os “amigos” de Jó. Elifaz, Bildade e Zofar, escandalizados e estarrecidos com as múltiplas e repentinas tragédias sofridas por Jó, não perderam tempo em determinar que tudo aquilo era o juízo de Deus sobre a sua vida face algum pecado cometido. Todos sabemos que eles estavam errados. 2) Os Discípulos de Jesus e o cego de nascença de João 9. O texto diz que ao contemplarem um cego de nascença os discípulos questionaram: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego”? Percebam que a pergunta vem carregada de suposições. Mas assim como os “amigos” de Jó (e muitos hoje), os discípulos também erraram em associar a dor humana ao juízo Divino.

Sei que aqueles que gostam de exaltar a santidade e a justiça de Deus, já começaram a pensar nas vezes que Deus executou severo juízo sobre indivíduos e nações, correto! Não nego de forma alguma que Deus julga, os exemplos estão aí, desde o Egito até Ananias e Safira. Minhas crises e questionamentos sobre essa postura de associar tragédia ao julgamento Divino são três: 1º – Toda tragédia é juízo de Deus? Pois muitos se comportam como se fosse. 2º – Se o sofrimento humano, bem como as tragédias, muitas vezes constituem-se em algo misterioso, por que gostamos de julgar e determinar suas causas? 3º – Por que as pessoas gostam tanto de exaltar a justiça de Deus e propagam tão pouco sua graça e amor?

Além desses motivos, penso também que não há relação alguma entre o coronavírus e o carnaval do Rio (como muitos afirmam), por aquilo que é ensinado nas escrituras em Ezequiel 18.20:

“…o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele”.

É herético e ilógico pensar que Deus fez um vírus surgir na China e veio matando gente em toda Ásia e Europa, até chegar aqui para ceifar milhares de vidas que nada tem haver com o carnaval do Rio de Janeiro. O que não quer dizer que eu concorde com o que aconteceu no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Mas a relação entre uma coisa e outra não é nenhum pouco sensata e muito menos cristã.

Um dia falando sobre esse assunto alguém me questionou citando Gálatas 6.7, que diz: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. Foi então que respondi da seguinte forma: “Paulo está falando da responsabilidade individual, da consequência que recai sobre mim pelos meus pecados e não com está sendo pensado equivocadamente, erros dos outros afetando pessoas inocentes quanto a suposta causa em questão”.

Por tudo isso, prefiro me eximir de qualquer julgamento e orar pelos que sofrem, revelando a eles compaixão e a graça de Cristo!

Weslei Pinha

Pilatos lavou mãos, Jesus lavou pés

As cidades dos tempos de Jesus principalmente as da Judeia não eram calçadas, as pessoas andavam sobre a terra solta com seus pés totalmente desprotegidos já que não haviam sapatos. Diante dessa combinação de poeira e pés desprotegidos desenvolveu-se a higiênica cultura do lava pés. Ao chegar a uma casa o visitante tinha seus pés lavados por um escravo a mando do anfitrião. Foi em meio à primeira ceia cristã (João 13) que Jesus vivenciou essa cultura numa posição diferente, como servo, lavando os pés dos discípulos.

Horas depois, Jesus foi preso e levado pela cúpula religiosa judaica a Pilatos para ser julgado e condenado à morte. Pressionado pelos líderes farisaicos e pelo apelo popular por sangue, Pilatos entregou Jesus para ser crucificado. Antes, tomou uma bacia com água e de forma dramática declarou sua “inocência” a todos lavando as mãos. Ao fazer isso Pilatos se utilizou de uma prática conhecida do próprio povo judeu. Deuteronômio 21 ordena que quando um morto for encontrado e ninguém saber quem o matou, então os líderes da cidade mais próxima em que o morto foi encontrado deveriam degolar uma novilha e lavar as mãos no sangue do animal, demonstrando assim sua inocência. Dessa forma, o cenário da paixão nos revela duas ações semelhantes e ao mesmo tempo profundamente distintas – O Cristo que como servo lava pés e o líder politico que lava as mãos.

Vejamos agora o que ambas atitudes tem a ensinar a comunidade de discípulos de Jesus:

1 – A ATITUDE DE AMBOS FALA DE RESPONSABILIDADE

Somente Pilatos podia determinar a pena capital na região da Judeia, e ele a fez em relação a Jesus. Mas quando lavou as mãos tentando demonstrar sua “inocência”, transferiu a responsabilidade (culpa) aos líderes religiosos e a multidão que gritava: “Solta Barrabás e crucifica Jesus”. Se Pilatos ao lavar as mãos buscou transferir responsabilidades, Jesus ao lavar os pés dos discípulos assumiu a responsabilidade negada pelos doze, para ensina-los sobre espírito humilde e cuidado sacrificial de uns para com os outros.

Que a comunidade de Jesus não transfira, não terceirize sua vocação e chamado, mas a cumpra com diligência, urgência, paixão e espírito voluntário.

2 – A ATITUDE DE AMBOS FALA DE PODER

Como já disse, os fariseus não tinham autorização para condenar ninguém à pena de morte, somente Pilatos tinha essa premissa. E assim o fez, usando seu poder, sua influência para o mal, para matar. Se Pilatos ao lavar as mãos usou seu poder para o mal, Jesus ao lavar os pés usou seu poder para o bem. Jesus tinha consciência do seu poder e o utilizou para o bem como sempre fez. Um simples gesto, mas tomado de grandeza e profundo significado.

Que a comunidade de Jesus use seu “poder” (influência) não como Pilatos, mas como seu Mestre!

3 – A ATITUDE DE AMBOS FALA DE SENTIMENTO

Ao lavar as mãos e entregar Jesus para ser crucificado Pilatos revelou medo. Medo de absolver Jesus das acusações e ter sua carreira política destruída. “Se soltas este, não és amigo de César” (João 19.12), provocavam os judeus. Se Pilatos lavou as mãos por medo, Jesus lavou os pés dos discípulos por amor. João nos revela que apenas esse, e não outro sentimento dominava o coração de Jesus naquele momento “…tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13.1).

Que a comunidade de Jesus não seja conhecida pelo ódio, intolerância e indiferença, sentimentos que nada tem haver com o Reino do nosso Cristo, mas que ela seja famosa, popular por seu amor, compaixão e graça.

Pilatos ou Jesus? Mãos ou pés?

Weslei Pinha