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Inveja Mata!

O rancor é cruel e a fúria é destruidora, mas quem consegue suportar a inveja? Provérbios 27.4

O Sábio afirma que a inveja é pior que o rancor e pior que a ira. Talvez porque, diferente da mágoa ou da ira, a inveja não carece de nenhuma provocação. Ela simplesmente surge, fruto da nossa malignidade. Um exemplo trágico de inveja na Bíblia é o caso dos irmãos Caim e Abel. Em Genesis 4 somos informados que Caim mata seu próprio irmão Abel, motivado por mero sentimento de inveja.  

A inveja por ser manifestada de duas formas:

1º – A Inveja pode se manifestar pela Cobiça. O ato de desejar ardentemente o que o outro tem ou é. 2º – A Inveja pode ser evidenciada pela tristeza diante do sucesso ou felicidade do outro.

Invejar é a atitude de olhar muito para os outros e pouco para si – O invejoso é o cego para si mesmo. A vida alheia lhe chama mais atenção, lhe é mais interessante. Isso porque o invejoso não consegue ser contente e grato por aquilo que tem ou é, por isso inveja bens, corpo, beleza, sociabilidade, família, títulos, inteligência, capacidades, talentos etc. Não existe inveja boa, toda inveja é má e destrutiva!  

Umas das consequenciais da inveja é a antipatia ou ódio gratuito. Visto que o invejoso desenvolve aversão pelo outro ou outra, sem motivo algum. Ou pelo simples fato de ser invejado.

Creio que as redes sociais não apenas evidenciou nossa sociedade invejosa, mas potencializou ainda mais a inveja no coração de muita gente. Diante da exposição de onde e com quem se estar, daquilo que se come, da estética corporal, da família aparentemente feliz, das conquistas e aquisições, muitas pessoas são tomadas de inveja que como já afirmamos pode ser evidenciada não apenas pelo desejo, mas por aquela ponta de tristeza ou desgosto diante da felicidade e satisfação alheia. O invejoso até consegue chorar com os que choram (até porque para alguns invejosos, a desgraça alheia é seu prazer), mas tem uma grande dificuldade de se alegrar com os que se alegram.    

A maioria das pessoas se consideram invejadas, mas não invejosos. Isso porque temos uma séria dificuldade de nos perceber quem ou como realmente somos. Outra explicação para nossa dificuldade de nos perceber invejosos, é que a inveja é um pecado envergonhado. Até temos a honestidade de confessar outros erros e defeitos, mas quem tem a coragem de se assumir como invejoso?

Cura para a Inveja

Ao invés de cobiçar, ao invés de valorizar tanto a “grama” do outro, desenvolva gratidão e contentamento diante daquilo que você tem e é. Perceba e valorize mais o que Deus fez e faz por você. Ao invés de ser tomado de tristeza ou descontentamento com as realizações e felicidade dos outros, alegre-se, vibre, agradeça, congratule com ele ou ela por sua conquista ou estado de alegria.

Weslei Pinha

ÉTICA CRISTÃ PARA AS REDES SOCIAIS

Com o aprimoramento da internet e as múltiplas tecnologias da informação, surgiram as Redes Sociais. A primeira rede social surgiu em 1995 nos Estados Unidos e Canadá, chamada Classmates (Colegas de classe). Essa rede social tinha como objetivo promover o reencontro de amigos e conhecidos da escola e da faculdade.

A partir de então as redes sociais se popularizaram. Hoje se estima que metade da população mundial, mais de 3,5 bilhões de pessoas estão conectadas a uma rede social. Segundo pesquisa divulgada em 2020, mais de 140 milhões de brasileiros usam ativamente as redes sociais.

As 7 redes sociais mais usadas no Brasil são: Facebook (129 milhões); WhatsApp (120 milhões); YouTube (105 milhões); Instagram (95 milhões); LinkedIn (46 milhões); Twitter (17 milhões); TikTok (13 milhões).

Dois diferentes fenômenos tecnológicos contribuíram com a impulsão das redes sociais: 1) – O Crescimento e Desenvolvimento da Internet Móvel. O que antes era algo confinado às casas ganhou as ruas e até a zona rural. 2) – Evolução dos celulares tendo como grandes responsáveis, Steve Jobs e a Apple.

Existem múltiplos e diferentes benefícios envolvidos no uso das redes sociais: Entretenimento; Interatividade; Comunicação; Comercial; Troca de Conhecimento e Informação. Estes são alguns dos muitos benefícios presentes na utilização das redes. Mas e quanto aos malefícios? O lado ruim quanto ao seu uso?

PRIMEIRO. VÍCIO E MAU USO DO TEMPO – Segundo pesquisa em média o brasileiro passa mais de 3 horas por dia em redes sociais.

A Doutrina da Mordomia Cristã diz que Deus é dono de tudo e nós administrares daquilo que ele graciosamente nos deu, inclusive do tempo.

Efésios 5.15,16 – Olhai, portanto, cuidadosamente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus.

Quando Paulo fala sobre remir o tempo, ele está falando do uso sábio do tempo, do seu melhor aproveitamento. Se não vigiarmos as Redes Sociais podem se tornar um grande inimigo da boa administração do tempo, nos privando de ações relevantes e essenciais à vida.

SEGUNDO. AS REDES SOCIAIS E O DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS EMOCIONAIS – Um recente estudo entre jovens e adultos demonstrou que o uso excessivo das redes sociais pode levar o usuário a profunda ansiedade e até a depressão.

Pessoas adoecem por invejarem aqueles que ostentam nas redes sociais; Pessoas adoecem de nervosismo e ira diante de postagens que não condiz com sua forma de ver as coisas; Pessoas adoecem de ansiedade diante da expectativa de curtidas, visualização, comentários, compartilhamentos, número de seguidores ou por viverem um consumo exagerado de notícias. Pessoas adoecem de depressão por viverem mais no mundo virtual do que no mundo real; Pessoas adoecem de mágoas e ódio por entrar em guerra de opiniões e ofensas via redes; Pessoas adoecem de medo diante do consumo de notícias ruins e falsas. Pessoas adoecem de lascívia diante do mundo de sensualidade e nudismo que as redes sociais promovem.

TERCEIRO. DISSEMINAÇÃO DE MENTIRAS “FAKE NEWS” – A falta de credibilidade da impressa tradicional, abriu portas para que acreditássemos com certa facilidade nas notícias e informações que vem via redes sociais. É preciso que fiquemos atentos tanto as “Fake News” da impressa tradicional como as “Fake News” disseminadas via redes sociais.

Penso que diante da possibilidade de estarmos diante de uma Notícia Falsa vale muito a pena imitarmos o comportamento dos cristãos Bereanos:

Atos 17.11 – Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.

A fonte era confiável, era o grande apóstolo Paulo que falava, mas mesmo assim os bereanos consultavam a Palavra, para ver se as coisas ensinadas eram de fato daquela forma. Um pouco de ceticismo não faz mal a ninguém!

Weslei Pinha

PECADO NOSSO

“E perdoa-nos as nossas dívidas…” Mateus 6.12

É interessante como Mateus usa em seu evangelho a palavra “dívida” para se referir ao pecado. É possível que essa associação esteja ligada a sua antiga atividade de publicano (cobrador de impostos). Mateus entende que quando pecamos, seja contra Deus ou o próximo, logo contraímos com estes uma “dívida”, que é cancelada quando somos graciosamente perdoados.

Assim como a oração não nos ensina a orar apenas pelo “meu pão”, mas pelo “nosso pão”, ela também nos conduz a não orar apenas pelos “meus pecados”, mas pelos “nossos pecados”. Dessa forma, mantem-se o senso comunitário e plural da oração, que insiste na manutenção de um estilo de vida que nos leva a considerar as necessidades físicas (Pão) e espirituais (Santidade) do outro.

O que Jesus deseja para seu povo é que os pecados, defeitos e limitações do irmão, ao invés de serem alvos de julgamentos, condenações e criticas cruéis, que sejam alvos de nossa misericordiosa oração. É colocar diante de Deus e não diante dos ouvidos alheios aquilo que consideramos como desvios de comportamento e doenças de alma para que haja mudança e transformação.

Refletindo sobre o assunto, Ziel Machado, pastor da Igreja Metodista Livre Nikkei em São Paulo, SP, afirma: “A fragilidade do outro não é um playground para minha prepotência, não é um lugar para ostentar minhas ‘fortalezas’. A fragilidade do outro é meu espaço de cuidado, de ministério, de ação redentiva, um lugar que demanda ação reverente, onde sou desafiado a servir de suporte para que o outro possa superar suas debilidades. A fragilidade do outro deve ser meu campo missionário…”

Jesus restaura nossa verdadeira humanidade nos mostrando que as imperfeições das pessoas não devem ser alvos do nosso escárnio, mas das nossas orações.

Weslei Pinha

PÃO NOSSO

“O pão nosso de cada dia nos dá hoje…” Mateus 6.11

O propósito de Jesus em relação a oração do “Pai Nosso” não era apenas nos apresentar um jeito de orar, mas um jeito de viver. Pastor Carlos Queiroz afirma que “A oração ensinada por Jesus é mais do que uma peça poética, é acima de tudo um estilo de vida a ser desfrutado”. A oração do “Pai Nosso” é uma oração-estilo-de-vida. Não é apenas orar, é viver a oração!

Depois de tratar das questões espirituais na oração, o Mestre nos leva a refletir sobre o material – o pão. Alimento comum desde os primórdios da humanidade, o pão é usado por Jesus como símbolo de toda nossa necessidade física. E nesse pedido há uma mensagem séria e profunda, mas pouco percebia. Visto que a oração ensinada por Jesus se tornou na boca de muita gente um mero e repetitivo ato ritualístico e até supersticioso. Uma das verdades mais contundentes dessa oração é que ela é um golpe em nosso individualismo egocêntrico. Observe que todos os pronomes da oração estão no plural (nosso, nossos e nossas). Ao nos ensinar a orar, Jesus nos faz lembrar e reconhecer que não somos ilhas ambulantes, mas parte de uma comunidade. Dessa forma a oração nos leva a desenvolver profundo censo comunitário, nos levando a olhar para a humanidade como uma grande família. Quando desenvolvemos essa consciência comunitária, passo a ver as necessidades do próximo não apenas como uma responsabilidade governamental, mas minha também.

Dessa forma, a oração do “Pai Nosso” também é a oração do “Pão Nosso”!

Jesus ensina que o pão que ele nos dá fruto de sua compaixão e graça, não é propriedade exclusiva de ninguém. Suas bênçãos sejam elas quais forem, devem ser partilhadas, divididas. Pastor Ariovaldo Ramos diz que quem faz a oração do “Pai Nosso”, deve também se comprometer em ser “padaria” de Deus na vida do outro. Isso não comunismo, isso é Evangelho!

Jesus não nos convoca para apenas orar, pedir pelo “meu pão”, mas pelo “nosso pão“. Além de interceder, está embutido nesse ensino a missão de nos tornarmos mão de Deus na vida daqueles quais as dispensas estão vazias.

Jesus restaura nossa verdadeira humanidade nos fazendo reconhecer que suas bênçãos nunca devem ser encaradas como exclusividade por parte de quem as recebe.

Weslei Pinha

O SUICÍDIO e a ÉTICA CRISTÃ

No mundo quase um milhão de pessoas colocam um fim em suas próprias vidas todos os anos, o que equivale a uma morte a cada 40 segundos. No Brasil morrem cerca de doze mil pessoas por ano em decorrência do suicídio, uma média de um suicídio a cada 40 minutos.
Outro dado preocupante é o crescimento no número de suicídio entre jovens e adolescentes. O suicídio foi a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, após os acidentes de carro.
Entre as principais causas de suicídio estão às pessoas esquizofrênicas, dependentes químicos e pessoas depressivas. Sendo que a depressão, que é tristeza intensa evidenciada pela perda de interesse pela vida é a principal causa dos suicídios no mundo. Segundo dados, 90% das pessoas que tentam se matar sofrem de depressão.
Dentre outras motivações que levam pessoas ao suicídio está à dificuldade de lidar com as perdas. Não são poucas as pessoas que desmoronam emocionalmente diante da perda de bens ou do fim de um relacionamento. Alguns por tamanho apego aos bens ou pessoa alvo de uma paixão doentia se vem incapazes de continuar vivendo sem estes.
A ÉTICA CRISTÃ É CONTRA O SUICÍDIO, devemos ser sensíveis aos sinais de tendência suicida e lutar com todos os recursos para desencorajar a pessoa de seu pensamento suicida, incentivando-a a encarar suas perdas, lutar contra suas doenças de alma e leva-la perceber o quanto Deus a ama e deseja ajuda-la em suas crises.
A Bíblia não oferece nenhum ensino direto a respeito do suicídio, mas fala de suicidas, os quais são um total de 6: Abimeleque (Juízes 9); Aitofel (II Samuel 17); Zinri (I Reis 16); Saul (I Samuel 31.4-6); Judas (Mateus 27); Sansão (Juízes 16).
Há divergência de pensamento entre os estudiosos se Sansão cometeu suicídio ou não. De qualquer forma é digno de nota que ele aparece em Hebreus 11, entre os heróis da fé.
Diante do ato suicida emerge a milenar polêmica quanto ao destino eterno do suicida. Todo suicida está perdido?
Antes de responder essa pergunta quero repudiar a atitude de boa parte dos cristãos que tem um estranho hábito de determinar o destino eterno das pessoas. Parece que em suas bíblias não se encontram as palavras de Paulo aos Romanos 14.10. Ao invés de assumir uma postura condenatória, deveríamos exercer a misericórdia e a compaixão para com o suicida e seus familiares. Mas empatia infelizmente não é uma prática de alguns dos meus irmãos de fé!
POR QUE CREIO QUE NEM TODO SUICIDA ESTÁ PERDIDO:
1 – É preciso considerar a total perda de lucidez bem como o profundo esmagamento emocional. Ainda creio em um Deus Justo e Bom, que leva em consideração esses fatores em seu julgamento.
2 – O único pecado imperdoável é a blasfêmia conta o Espírito Santo. Mateus 12.32
3 – O verdadeiro salvo não perde a salvação. João 5.24 / João 10.27,28 / Ef. 1.13,14
4 – “Entre a Eternidade e o último suspiro há um abismo de misericórdia”. João Maria Vianney
Weslei Pinha

 

 

O CALCANHAR DE AQUILES EM DAVI

Diz a mitologia grega que quando Aquiles ainda era um recém-nascido, foi predito que ele morreria jovem. Sua mãe em busca de sua longevidade o levou ao rio Estige, que por meio de suas águas daria o poder da invulnerabilidade a Aquiles. Ela então mergulhou seu corpo, porém, já que o segurava pelos calcanhares, eles não foram lavados pelas poderosas águas do Rio Estige. Assim Aquiles cresceu e se tornou um grande e temido guerreiro vencedor de grandes batalhas, mas que carregava uma fraqueza em seus calcanhares. Um dia, ainda jovem, foi ferido por uma flecha no calcanhar, o que o levou a sua derrota e morte.

Por volta de 1840 o escritor inglês Samuel Taylor, utilizou pela primeira vez a expressão “Calcanhar de Aquiles” de forma alusiva ao ponto fraco ou área mais vulnerável de uma pessoa.

Historicamente as religiões judaico-cristãs nutrem profunda admiração pelo filho mais novo de Jessé. Davi é admirado por sua habilidade de guerra; Capacidade Política; Belos e inspiradores poemas, bem como sua espiritualidade profunda e tocante. Mas mesmo Davi sendo tudo isso e muito mais, ele também tinha seu “Calcanhar de Aquiles”. Em meio tanta força, Davi tinha seu ponto fraco. Sua maior fraqueza não estava para além do palácio real, mas bem próximo. Exatamente dentro de sua casa. O “Calcanhar de Aquiles” em Davi estava no ambiente familiar, na vida em família. Como disse certo pregador: “A Bíblia não esconde os erros e pecados de seus heróis”.

Comprove este ponto fraco de Davi através do trágico relacionamento com seu filho Absalão.

 A Bíblia diz que Absalão tramou com êxito a morte do próprio irmão por parte de pai, Amnom. Depois desse crime, Absalão fugiu para a casa do avó materno que ficava na cidade de Gesur. Ali permaneceu três anos sem ter nenhum contato com o pai. Percebendo Joabe, General do exercito de Davi, que o rei sentia falta de Absalão, o repatriou de Gesur para Jerusalém. Quando Absalão chegou em Jerusalém Davi deu a seguinte recomendação a Joabe: “Ele irá para casa dele e não virá a minha presença…” II Samuel 14.28 afirma que Absalão morou dois anos inteiros em Jerusalém sem ver a face do pai.

Absalão já em profunda agonia pela falta de contato e diálogo com o pai há cinco anos, chama Joabe para que este lhe coloque na presença do rei. Por duas vezes Absalão chama Joabe, mas ele não o atende. Até que para chamar a atenção de Joabe, Absalão ordena seus servos coloquem fogo em sua plantação de cevada. Nesse momento Absalão ganha a atenção de Joabe, que  apresenta o seguinte pedido:

“…Agora, pois, veja eu a face do rei; e, se há ainda em mim alguma culpa, que me mate”. II Samuel 14.32

Por fim, depois de mais cinco anos, Davi recebe o filho Absalão. Porém, mais uma vez revelando sua incapacidade de diáogo familiar, ele não diz nada a Absalão, apenas o beija e o dispensa. II Samuel 14.33

O homem que era próximo de Deus era distante dos filhos. O herói nos campos de batalhas era um vilão no ambiente familiar. O homem que ganhava o mundo perdia a família. Davi era um ótimo rei, mas era um péssimo pai!

É verdade! A vida de um líder nacional é altamente comprometida. Guerras que duravam anos, reuniões militares e administrativas, julgamentos, assuntos econômicos etc, etc e etc. Um pai de muitos filhos e de pouco tempo.

Mas mesmo diante de tantas obrigações, Davi precisava entender (e nós também) que sua maior missão não era ser Rei e sim ser pai. Como consequência de sua ausência, seus filhos manifestaram profundas doenças na alma, bem como terríveis desvios de comportamento. Um pai ausente e muitos filhos doentes!

Weslei Pinha

 

A HISTÓRIA DE UMA MÃE

A mãe da nossa história tem nome, seu nome é Joquebede. Ela já é mãe de dois filhos, Miriam e Arão e agora está grávida do terceiro filho. Sem dúvidas esta será a gravidez e o parto mais difícil de Joquebede. Uma gravidez que será marcada por muita aflição.

A Bíblia informa que nos dias que os Israelitas ainda estavam no Egito um Faraó mal assumiu o poder e passou a ver os descendentes de Abraão como uma grande ameaça. Então deu as parteiras a seguinte ordem: “Todo recém-nascido do sexo masculino das israelitas vocês devem mata-los”. Foi em meio a esse decreto real que Joquebede ficou grávida. Que contexto triste e cruel para uma gravidez. Sem dúvidas parte desses nove meses de gestação foram marcados por muita angústia. A cruel dúvida entre menino e menina e suas implicações tiravam o sono de Joquebede.

Passado o tempo da gestação, Joquebede começa sentir dores e contrações, a criança quer nascer, as parteiras assassinas que receberam ordens do Faraó para tirar a vida dos bebês são chamadas. O bebê de Joquebede vem ao mundo, e para sua momentânea tristeza é um menino e isso significa morte. Mas um milagre acontece, as parteiras são tocadas pelo Criador e poupam a vida da criança.

Joquebede está aliviada pelo menos por agora, pois Faraó ficou sabendo que as parteiras não estão cumprindo suas ordens. Por isso ele decide colocar seus guardas para verificarem se há bebes machos nas casas dos israelitas. Joquebede esconde seu bebê. E este é mais um tempo de aflição para ela.

Passado cerca de três meses Joquebede não consegue mais ocultar, esconder seu filho. Ela então toma uma difícil e dolorosa decisão _ Lançar seu filho sobre às águas do Rio Nilo. Prepara um cesto, veda bem vedado para não entrar água e certamente com abundância lágrimas nós olhos se despede de seu filho que certamente será devorado pelos crocodilos existentes no Rio. Miriam irmã da criança, muito curiosa e astuta, acompanha de longe a viagem do seu irmão pelo Nilo. Por providência e não por coincidência a filha de Faraó e suas criadas estão naquele exato momento a banhar-se no Rio. Enquanto ali estão ouvem um choro, vão averiguar, é uma criança do povo de Israel que chora de dentro de um cesto. Naquela hora o Deus que já havia provido livramento e vida em favor de Joquebede, agora age mais uma vez colocando amor no coração da filha de Faraó pela criança.

Miriam irmã do bebê que próximo estava oferece ajuda. Diz à filha de Faraó que poderia encontrar entre as Israelitas uma mulher para amamentar a criança para ela. A filha de Faraó concorda e Miriam chama sua própria mãe para essa tarefa. Joquebede mais uma vez sem acreditar direito em todo que está acontecendo vê à mão de Deus mais uma vez agindo em seu favor e em favor de seu filho.

Quando o menino já está crescido a filha de Faraó o toma para si e passa a lhe chamar de Moisés, porque das águas foi tirado.

Será que assim como Joquebede você é uma mãe que tem vivido profundas e amargas aflições em relação aos seus filhos?

Em todo o tempo de sua aflição Joquebede experimentou a intervenção Divina na sua vida e na vida de seu filho. Dessa forma, creia que mais cedo ou mais tarde você viverá a experiência de Joquebede, a experiência da intervenção Divina!

A história de uma mãe para muitas mães. Feliz Dia das Mães!

Weslei Pinha

 

ELE SE FEZ MALDITO

Durante o tempo em que imperou a Lei de Moisés os criminosos e desobedientes punidos com a pena de morte eram executados (Na maioria das vezes por apedrejamento) e pendurados a uma árvore fora da cidade para servir como exemplo público. Uma pessoa que sofria a punição de ser pregado ao madeiro ou a uma árvore deveria ser considerado maldito por todos. Ver Deuteronômio 21.22,23

O Dicionário de Língua Portuguesa classifica maldito como alguém muito mal, perverso ou aquele que carrega uma maldição. Maldição por sua vez também segundo o Dicionário é alguém que carrega uma praga. O teólogo e escritor John Stott fazendo uma leitura teológica da palavra, afirma que maldito é aquele que foi rejeitado por Deus.

O rótulo ou a qualificação de maldito sobre quem passasse pela infeliz experiência do madeiro atravessou gerações até a invenção da crucificação pelos assírios e seu aperfeiçoamento e popularização por meio dos romanos. Diante disso quando Jesus foi crucificado todos que estavam no Calvário o reconheceram como alguém maldito, aquele que carregava uma maldição ou que havia sido rejeitado por Deus.

Ao escrever aos Gálatas Paulo afirma que de fato ao ser crucificado, pesou sobre o Cristo de Deus uma maldição:  Mas Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito. Gálatas 3.13,14

Quando Paulo afirma: “Mas Cristo nos resgatou da maldição da lei…” Ele não está dizendo que a lei é maldita. Tanto que aos Romanos ele afirma que a lei é Santa (Rm. 7.12). E escrevendo a Timóteo em sua primeira carta ele afirma que a lei é boa (I Tm.1.8). Então o que foi essa maldição da lei que Cristo nos resgatou?

A maldição da lei é a ira de Deus sobre os desobedientes a própria lei (Gálatas 3.10). A lei denuncia nossa incapacidade de atingir as exigências do Deus Santo, revela nossa natureza rebelde e aponta para nossa total perdição.

Por isso, para que não fosse a humanidade alvo da impiedosa ira de Deus, Ele, o mais Santo e Perfeito dos homens assumiu toda a revolta Divina. O mais bendito dos homens, carregou sobre si não somente a cruz, mas toda a nossa maldição!

 “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus”. II Coríntios 5.21

 Na cruz a ira de Deus contra o pecado e o pecador caiu sobre Cristo. Ele se fez maldição aos olhos humanos e assumiu a maldição aos olhos Divinos. Diante do peso da maldição da humanidade que recaia sobre Ele, o Pai o abandonou na Cruz. O Pai sempre Santo Dele se afastou. Por isso que por volta das três horas da tarde, Jesus bradou em alta voz: “Eloí, Eloí, lamá sabactâni?”, que significa “Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste?” Mateus 27.46

Lembra da definição de John Stott para maldito? Aquele que foi rejeitado por Deus. Cristo, o Filho, por um momento rejeitado pelo Pai, por assumir uma culpa, uma maldição que não era Dele, mas minha e sua.

Ele sofreu nossa rejeição e carregou nossa maldição. Foi condenado para que fossemos salvos e amaldiçoado para que fossemos abençoados!

Weslei Pinha

 

SER PASTOR EM TEMPOS DE REDES SOCIAIS

A internet tem origem na Guerra Fria (1945-1991) envolvendo as superpotências Estados Unidos e União Soviética. Com o objetivo de facilitar a troca de informações os americanos criaram um sistema de comunicação à longas distâncias. Posteriormente essa nova e revolucionária tecnologia extrapolou dos limites bélicos e ganhou as casas de todo o mundo na década de 90.

Com o aprimoramento da internet e as múltiplas tecnologias da informação, surgiram as Redes Sociais.  A primeira rede social surgiu em 1995 nos Estados Unidos e Canadá, chamada Classmates (Colegas de classe), com o objetivo inicial de reencontrar amigos e conhecidos da escola e da faculdade. A partir de então as redes sociais se popularizaram. Hoje se estima que metade da população mundial, mais de 3,5 bilhões de pessoas estão conectadas a uma rede social. Segundo pesquisa divulgada em 2020, mais de 140 milhões de brasileiros usam ativamente as redes sociais e passam mais de 3 horas por dia conectados.

As redes sociais mais usadas no Brasil são: Facebook (129 milhões); WhatsApp (120 milhões); YouTube (105 milhões); Instagram (95 milhões); LinkedIn (46 milhões); Twitter (17 milhões); TikTok (13 milhões).

Dentre estes milhões e bilhões de usuários das múltiplas redes sociais no Brasil e no mundo estão os cristãos evangélicos. Antes considerados a margem da sociedade, hoje se apresentam conectados a internet e influentes em muitas plataformas. Acredito que a ligação com uma igreja e os vínculos ali desenvolvidos impulsiona o uso das redes sociais entre evangélicos. Além das redes de interesse pessoal, há o envolvimento com grupos, páginas e canais da comunidade de fé.

Reconheço o valor das redes sociais e não sou avesso a elas, tanto que delas me utilizo assim como os demais filhos de Adão visando o entretimento, a comunicação, relacionamento, informação, utilidades públicas, atividades comerciais, divulgação de posicionamentos e preferências, acesso a fontes de conhecimento gerais, bem como do genuíno ensino das verdades do Reino  e etc. No campo religioso-eclesiástico quase a totalidade das igrejas delas fazem uso visando promoção da comunhão, divulgação de atividades internas e comunitárias, bem como na propagação da mensagem do evangelho.

Mesmo diante desses benefícios pontuados, eis um dilema quanto às redes sociais envolvendo as lideranças de fé: Elas agregam novos desafios e até tensões ao ministério pastoral?

 Se o ministério pastoral já era desafiador e recheado de múltiplas obrigações, o advento das redes sociais constituiu em mais um peso ou elemento que demanda atenção do líder. São os grupos de Whatsapp que precisam (em alguns casos) ser normatizados e pacificados; São postagens de “Fake News” que precisam ser checada sua veracidade; É a intensa e cega polarização política que promove via redes sociais a falta da prática do Salmo 133; São as postagens heréticas ou estranhas a fé da denominação que pertence; Além dos comentários agressivos e posts de ódio que nada tem a ver com o evangelho de Jesus; E os irmãos que ficam chateados quando suas mensagens não são prontamente visualizadas e respondidas pelo “onipresente” pastor. Agora agregue a tudo isso a criação de sites ou páginas e a alimentação destes; a necessidade de criação de banner’s (artes) das programações regulares ou especiais; a postagem de cultos e vídeos no canal da igreja e etc. Hummm… Já ia me esquecendo das lives! Pois mesmo que com toda dedicação dos líderes, visando manutenção dos cultos e ensino da Palavra, (não sendo eles profissionais da área) em muitos casos o número de pessoas que ás assistem são de levar qualquer pastor a tristeza.

Mas diante de tudo isso, o que mais me preocupa na relação pastor, igreja e redes sociais é o pseudodiscipulado que acontece por meio da internet. Não são poucos os “gurus” da religião disseminando todo tipo de ilusórias teorias de conspiração, ódio ideológico-partidário, modismos e heresias por meio do vasto campo do www. Infelizmente muitos são os cristãos que valorizam mais o guru youtuber do que seu líder local que com dedicação vela por sua vida, sempre com uma palavra bíblica, equilibrada e sensata.

Novos tempos, novos desafios para aquela que já era considerada uma atividade de múltiplos papéis!

Weslei Pinha

QUANDO A POLÍTICA FAZ MAL A FÉ

A palavra polarização vem de polos, pontos opostos. Dessa forma a polarização política evidencia-se pela intensa divisão de uma sociedade em torno de temas político-ideológico. Nossa polarização brasileira assim como é em boa parte do mundo, diz respeito à divisão de preferências e opiniões (nem sempre pacíficas) relacionadas a partidos, candidatos ou ideologias.

Acredito que a forte polarização política que vivemos hoje foi impulsionada por três diferentes eventos: 1- Em 2014 por meio da disputa presidencial entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). O Partido dos Trabalhadores até então há 12 anos no poder, aumentava ano após ano uma antipatia nacional, fruto principalmente dos esquemas de corrupção revelados pela operação “Lava Jato”. 2- As manifestação populares de 2016 contra o governo Dilma, bem como toda prática de corrupção que há décadas marcava e marca boa parte dos governos em todas as nossas esferas de poder. 3- As eleições de 2018 evolvendo principalmente os candidatos de Direita, Jair Bolsonaro (PSL até então) e o candidato de Esquerda, Fernando Haddad (PT).

Especialistas políticos têm enumerado os prejuízos provocados pela acirrada polarização política numa sociedade (Vide os Estados Unidos). Alguns até chegam ver a intensa polarização política como uma séria ameaça a democracia. Mas e quanto à fé? Seria a política vivida de forma desequilibrada  em sua compreensão e ação também uma ameaça a fé proposta por Jesus nos evangelhos?

A resposta a essa pergunta é um sonoro SIM, pelos seguintes motivos:

1 – POLÍTICA COMO MEIO DE REDENÇÃO

O cristão pode e deve por meio do voto, bem como por seu envolvimento político, desejar e lutar por bons e mais justos modelos de governo. O que o cristão não pode, é depositar seja em um candidato ou em um partido, toda sua esperança de transformação da realidade a sua volta. Quando essa esperança que era depositada apenas no Soberano passa a ser entregue ao político ou a política, ela sai do campo das boas práticas sociais e ganha status de ídolo – Política como prática idólatra. Timothy Keller em seu livro “Deuses Falsos” afirma: “Podemos ver nossos líderes políticos como “messias”, nossas agendas políticas como doutrinas salvadoras e nosso ativismo político uma espécie de religião”.

Pela presença do pecado no mundo gerando imperfeição em tudo e em todos, nenhum governante ou governo será capaz de produzir os efeitos pelos quais tanto anseia o coração humano. Nossa maior esperança de redenção desde o âmbito municipal ao mundial, não deve ser depositado nos governos humanos, mas no pacífico, justo, compassivo e perfeito Governo do Cristo de Deus que há de vir. Somente Ele por meio de toda sua Sabedoria e Poder poderá fazer do mundo um novo e melhorado Éden.

2 – POLÍTICA COMO CAMPO DE GUERRA

Olhando para os ensinamentos de Jesus, não é difícil perceber que a fé cristã gira em torno do amor. Deus se definiu na Bíblia como amor (I João 4.8); O amor de Deus é a causa da nossa Salvação (João 3.16); Amor deve ser o distintivo principal do cristão (João 13.35); Amor é o resumo de toda a lei (Marcos 12.28-31); Amor é a mais excelente das virtudes (I Coríntios 13.1); Amor é a evidência de genuína conversão (I João 1.7). Diante disso, o desejo de Deus é a boa, saudável, respeitosa e amorosa relação entre aqueles que foram criados a sua imagem e semelhança. No entanto, uma das muitas cercas e obstáculos que podem interferir e impedir o exercício dessa vontade do Criador para sua criação é a equivocada e doentia prática política.

São abundantes os relatos de conflitos verbais e físicos entre amigos, familiares e desconhecidos por divergências política-ideológica. Além disso, percebemos via redes sociais uma verdadeira disseminação de ódio de ambos os lados. E pasmem os senhores, pois até aqueles que são chamados a amar até o próprio inimigo e imitar o caráter Santo do Cristo, estão entre aqueles que agridem e propagam ódio. Que cristianismo é esse?!

Diante disso, ressalto a atual e necessária advertência de Jesus aos seus odiosos e intolerantes discípulos: “…Vós não sabeis de que espirito sois.” Lucas 9.55

Infelizmente quando a política é encarada de forma desequilibrada e ausente dos princípios bíblicos, ela constitui um sério prejuízo a fé em relação a sua primordial marca – O ato de devotar amor e respeito ao próximo.

3 – IDEOLOGIA POLÍTICA CONTRA O EVANGELHO  

Ideologia política é o conjunto de ideias que molda e determina a forma que cada grupo político deve encarar diferentes pautas de governo. Dessa forma, a ideologia partidária estabelece a forma, o jeito que cada pessoa simpática ao partido ou ao líder deve pensar e agir.

O grande problema da ideologia política em relação à fé, é quando ela, mais do que o evangelho de Jesus determina nosso jeito de viver e pensar. Nossa bíblia não é e nunca será “O Capital” de Karl Marx (1867), nem tão pouco as filosofias de mercado do capitalismo selvagem de direita, nossa regra de fé e vida são as palavras de Jesus presentes principalmente nos quatro evangelhos.

Hoje percebo bem diante dos meus olhos, cristãos abandonando de forma sutil princípios claros do evangelho em nome das ideias de seu candidato ou partido.

Não sou contra a política! Sou contra a política cega que nos ilude em vê-la como instrumento de redenção. Sou contra a política violenta, que transforma meu próximo em objeto de ódio por simplesmente pensar diferente de mim. Sou contra a política maquiavélica, que inverte os valores do Reino. Que ao mau me faz chamar de bom e ao errado me leva a compreende-lo como certo.

Por cristãos mais lúcidos na política!

Weslei Pinha