Amigo de Pecadores

E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir. E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles. Lucas 15.1,2

Os fariseus era uma das três principais seitas judaicas, juntamente com os saduceus e os essênios. Trata-se de um grupo de judeus devotos à Torá, surgido por volta do ano 200 a. C. Fariseu significa “separar”, “afastar”. Eles faziam jus ao nome, pois tinham como filosofia religiosa serem segregalistas. Mantinham-se distantes de estrangeiros, samaritanos, desobedientes às leis de Moisés, publicanos (Cobradores de Impostos), prostitutas, alcoólatras e doentes crônicos como leprosos. Estes eram classificados como pecadores. Eram segregalistas por pelo menos dois motivos: Senso de superioridade e medo de contaminação. Por isso não faziam negócios; Não comiam juntos; Não entravam em determinadas casas; Não conversavam; nem se tocavam. Acreditavam que um simples aperto de mão ou toque em objetos públicos podia comprometer sua santidade.

Reproduzimos hoje o comportamento farisaico do primeiro século quando também em nome de uma pseudo santidade nos isolamos de pessoas com a alegação de que “Não podemos estar à roda dos escarnecedores”. Há aqui um entendimento errado da palavra “escarnecedores”, que não se refere a pessoas de fé ou comportamento diferente do padrão cristão, mas zombadores de Deus. É entre esse grupo de pessoas que Davi não deseja estar.

Se a religião farisaica era e é caracterizada pela separação e exclusão, a religião de Jesus é marcada pela aproximação, integração e inclusão, a fim de levar cura aos doentes e salvação aos pecadores. Por esse comportamento relacional Jesus foi apelidado pelos fariseus de “Amigo de Pecadores.” Um apelido pejorativo, mas para Jesus um elogio, um título por excelência.

Jesus não entrou apenas no mundo, entrou também na vida de gente da pior qualidade. Jesus foi tocado e beijado por uma prostituta; Comeu com o corrupto Zaqueu; Tocou no excluído leproso e permitiu ser tocado pela considerada “imunda” mulher do fluxo de sangue; Dialogou a sós com a mulher Samaritana de reputação questionável; Se assentou com publicanos, berrões e  lhes falou das grandezas do Reino de Deus.

Sobre essa atração que Jesus exercia sobre os pecadores, o pastor americano Philip Yancey se pergunta: “Como ele (Jesus) a pessoa mais perfeita da história, conseguiu atrair pessoas tão imperfeitas?” Para essa questão penso na seguinte resposta: Maior que a santidade de Jesus era seu amor. Certamente não alcançaremos esse mesmo êxito do Mestre enquanto nossa santidade for superior aos nossos atos de compaixão e graça.

Weslei Pinha


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