A MUNDANIDADE DE JESUS 

Eu desenvolvi minha fé em uma pequena comunidade Batista, situada numa também pequena cidade em meados da década de 90. Talvez a advertência que mais ouvi nesse tempo de primeiros passos na fé foi – “Não ameis o mundo”. Um conselho genuinamente bíblico extraído das palavras do apóstolo João em sua primeira epístola “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”. I João 2.15

Um pensamento que evidenciava ainda mais essa postura separatista entre o cristão e o mundo, era a forma como os da Igreja se expressavam quando alguém se decidia pela fé evangélica: “Fulano não é mais do mundo”.

Diante dessa popular compreensão, apelidar o irmão de mundano naquela época (e até hoje) constituía numa grave ofensa e motivo para séria prestação de esclarecimentos, visto que mundanidade se relaciona com todo tipo de prática do presente tempo e espaço condenável pelo Deus Santo.
Mas se mundanidade é tanto nas escrituras como no ambiente de fé, algo que carrega um sentido reprovável, como Jesus poderia ser mundano? Que mundanidade é essa?

Primeiro faz se necessário entender que “mundo” é esse que João nos pede para não amar e que Paulo nos adverte a não nos conformar ou tomar sua forma. A palavra grega que tanto João como Paulo usa para se referir a “mundo” é aion, que significa sistema de coisas, século, época, espírito de uma geração.

Assim, a ordem não é pelo desprezo, aversão ao mundo
criação (Kosmos) ou o mundo “seres humanos” do grego Oikouméne, até por que “Deus amou o mundo” João 3.16. Tomando o ensino bíblico como um todo, mais a palavra em sua origem (aion) a advertência é “não amem o sistema que domina essa geração e que é rebelde contra Deus”.

ASSIM, A MUNDANIDADE DE JESUS SE EXPRESSA NÃO NO AMOR POR AION, MAS POR OIKOUMÉNE, GENTE! NÃO PELO ENVOLVIMENTO COM O SISTEMA, MAS PELO ENVOLVIMENTO COM PESSOAS.

A mundanidade positiva de Jesus se expressa através da atenção e envolvimento com os excluídos da sociedade; por sua motivação em dialogar com os diferentes; por sua capacidade de se sensibilizar com os necessitados; por seu interesse de ir e entrar na vida dos outros, tendo como meta maior conduzi-los de volta para o Pai.

Dentro dessa perspectiva, eu quero ser um discípulo mundano!

Weslei Pinha


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