SER PASTOR EM TEMPOS DE REDES SOCIAIS

A internet tem origem na Guerra Fria (1945-1991) envolvendo as superpotências Estados Unidos e União Soviética. Com o objetivo de facilitar a troca de informações os americanos criaram um sistema de comunicação à longas distâncias. Posteriormente essa nova e revolucionária tecnologia extrapolou dos limites bélicos e ganhou as casas de todo o mundo na década de 90.

Com o aprimoramento da internet e as múltiplas tecnologias da informação, surgiram as Redes Sociais.  A primeira rede social surgiu em 1995 nos Estados Unidos e Canadá, chamada Classmates (Colegas de classe), com o objetivo inicial de reencontrar amigos e conhecidos da escola e da faculdade. A partir de então as redes sociais se popularizaram. Hoje se estima que metade da população mundial, mais de 3,5 bilhões de pessoas estão conectadas a uma rede social. Segundo pesquisa divulgada em 2020, mais de 140 milhões de brasileiros usam ativamente as redes sociais e passam mais de 3 horas por dia conectados.

As redes sociais mais usadas no Brasil são: Facebook (129 milhões); WhatsApp (120 milhões); YouTube (105 milhões); Instagram (95 milhões); LinkedIn (46 milhões); Twitter (17 milhões); TikTok (13 milhões).

Dentre estes milhões e bilhões de usuários das múltiplas redes sociais no Brasil e no mundo estão os cristãos evangélicos. Antes considerados a margem da sociedade, hoje se apresentam conectados a internet e influentes em muitas plataformas. Acredito que a ligação com uma igreja e os vínculos ali desenvolvidos impulsiona o uso das redes sociais entre evangélicos. Além das redes de interesse pessoal, há o envolvimento com grupos, páginas e canais da comunidade de fé.

Reconheço o valor das redes sociais e não sou avesso a elas, tanto que delas me utilizo assim como os demais filhos de Adão visando o entretimento, a comunicação, relacionamento, informação, utilidades públicas, atividades comerciais, divulgação de posicionamentos e preferências, acesso a fontes de conhecimento gerais, bem como do genuíno ensino das verdades do Reino  e etc. No campo religioso-eclesiástico quase a totalidade das igrejas delas fazem uso visando promoção da comunhão, divulgação de atividades internas e comunitárias, bem como na propagação da mensagem do evangelho.

Mesmo diante desses benefícios pontuados, eis um dilema quanto às redes sociais envolvendo as lideranças de fé: Elas agregam novos desafios e até tensões ao ministério pastoral?

 Se o ministério pastoral já era desafiador e recheado de múltiplas obrigações, o advento das redes sociais constituiu em mais um peso ou elemento que demanda atenção do líder. São os grupos de Whatsapp que precisam (em alguns casos) ser normatizados e pacificados; São postagens de “Fake News” que precisam ser checada sua veracidade; É a intensa e cega polarização política que promove via redes sociais a falta da prática do Salmo 133; São as postagens heréticas ou estranhas a fé da denominação que pertence; Além dos comentários agressivos e posts de ódio que nada tem a ver com o evangelho de Jesus; E os irmãos que ficam chateados quando suas mensagens não são prontamente visualizadas e respondidas pelo “onipresente” pastor. Agora agregue a tudo isso a criação de sites ou páginas e a alimentação destes; a necessidade de criação de banner’s (artes) das programações regulares ou especiais; a postagem de cultos e vídeos no canal da igreja e etc. Hummm… Já ia me esquecendo das lives! Pois mesmo que com toda dedicação dos líderes, visando manutenção dos cultos e ensino da Palavra, (não sendo eles profissionais da área) em muitos casos o número de pessoas que ás assistem são de levar qualquer pastor a tristeza.

Mas diante de tudo isso, o que mais me preocupa na relação pastor, igreja e redes sociais é o pseudodiscipulado que acontece por meio da internet. Não são poucos os “gurus” da religião disseminando todo tipo de ilusórias teorias de conspiração, ódio ideológico-partidário, modismos e heresias por meio do vasto campo do www. Infelizmente muitos são os cristãos que valorizam mais o guru youtuber do que seu líder local que com dedicação vela por sua vida, sempre com uma palavra bíblica, equilibrada e sensata.

Novos tempos, novos desafios para aquela que já era considerada uma atividade de múltiplos papéis!

Weslei Pinha


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