SAUDADE DO MEU CAMPO

O “meu campo” ficava onde ficava a maioria dos campos espalhados pelo Brasil, em um terreno ainda não explorado pelo mercado imobiliário. Meu campo era na verdade um campinho, um campinho de travinha, onde se jogava apenas quatro pessoas em cada time.

Era ali, no meu campo, que floreciam sonhos. Era do campinho que eu, Jô, Alisson, Murilo, Bahia e Tiago sonhavamos com os “campões”. Mas o meu campo não era apenas uma fábrica de sonhos, foi uma fábrica de saúde, fábrica de amigos, fábrica de ocupação, fábrica de formação.

No meu campo havia brigas, mas também havia perdão. No meu campo havia havia choro, mas havia alegria. Havia ofensas, mas havia elogios; havia egoísmo, mas havia generosidade; havia intolerância, mas havia compreensão. Meu campo era nada mais, nada menos que o reflexo da vida. E se a vida ensina, o campo também ensinou.

Meu campo não era longe de casa, na verdade era em frente de casa. Rua Itália, na altura do número 900. Chegava da escola, almoçava, assistia “Os Cavaleiros do Zodíaco” e ficava de “orelha em pé”. Ao soar de qualquer ruindo futebolístico, era só passar pelo portão e eu já estava em campo.

Quando a área passou ser ocupada foi a realização de uns e tristeza de outros. Não foram apenas os jovens boleiros que perderam, até minha avó perdeu, já que passou a vender menos brasinha (geladinha) pela ausência de peladeiros e torcida. É verdade que alguns da vizinhança deram graças a Deus, já que havia alguns incomodos, como os palavrões.

O tempo passou e aquilo que era “nosso”, agora tem dono. Casas grandes e luxuosas estão lá. Hoje se a nova geração da Feirinha e do Bela Vista quiserem jogar travinha terão de fazê-lo na rua ou ir bem longe atrás de um campo. Não sei, mas me parece haver uma ligação entre a diminuição de campos em terrenos baldios e a diminuição de interesse pelo futebol, bem como a diminuição de craques.

Meu campo se foi, mas deixou seu legado!

Weslei Pinha


Deixe seu comentário