RELIGIÃO DESCOMPLICADA

Quando falo em religião descomplicada, penso em um possível diálogo na eternidade entre o Pai e o Filho. Penso no Deus Pai dizendo: “Filho, eu lhe envio ao mundo para também tornar a fé mais simples”. Mesmo que o diálogo não tenha ocorrido, fato é que dentre seus feitos, Jesus tornou toda expressão fé algo mais simples a ser crido e praticado.

Ele simplificou o acesso a Deus. Antes de Cristo o acesso a Deus era envolto em burocracias. Se alguém desejava se aproximar do Criador, pelo menos 3 elementos eram fundamentais: Sacerdote, Templo e Sacrifício. Era preciso uma figura humana para intermediar o contado (sacerdote); Era preciso estar numa geografia santa (Templo Judeu em Jerusalém); Além disso, esse cidadão ansioso pela presença de Deus não poderia se apresentar de mãos vazias, ele precisa apresentar uma oferta (sacrificio).

Depois de séculos de tantas restrições ao Divino, Jesus, o descomplicador da fé aparceu assentado sobre um monte e afirmando:  “Não é mais necessário nada disso, basta você entrar em seu quarto, fechar a porta e orar a teu Pai que te vê, te contempla no secreto, na solitude, e o teu Pai que te vê te recompensará” (Mateus 6.6). Não é mais necessário uma pessoa especial, um lugar especial ou uma oferta especial. Acabou a burocracia! Basta clamar com a voz da alma e o coração cheio de fé e de quebrantamento.

Ele simplificou a obediência. As leis de Moisés eram um total de 613 mandamentos, sendo que 365 eram proibitivas e 248 instruções positivas. Agora imagine, 613 leis, mais centenas de regulamentações criadas pela tardição religiosa. Estamos falando de mais de mil preceitos. Uma obediência complexa, burocrática e pesada. Sobre isso Jesus advertiu:

Eles (os inventores de mandamentos) atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens… Mateus 23.4

Um dia Jesus estava entre os apaixonados por leis, regras e estatutos e disse: “Não são 613 mandamentos ou mais, são apenas dois: Amem a Deus de todo coração e amem ao próximo”. Mateus 22.37-39

A religião de Jesus não é uma religião de leis. A religião de Jesus é uma religião de amor!

Ele simplificou a adoração. Uma das burocracias na adoração tinha haver com a geografia, o lugar. Para o judeu estar no lugar certo fazia toda a diferença na adoração. O que pode ser facilmente percebido através do diálogo entre Jeus e a mulher de Samaria da cidade de Sicar (João 4). O texto afirma que essa mulher veio tirar água no poço onde Jesus estava assentado. Nesse momento Jesus lhe oferece uma água especial, Divina capaz de matar toda a sua sede existencial. A mulher mesmo sem entender perfeitamente de que  tipo de água Jesus estava falando, se interessa: “Senhor, me dê dessa água…” Ao que Jesus lhe condiciona: “Eu lhe dou, mas primeiro volte a cidade e traga seu marido”. Ela então responde: “Eu não tenho marido”. Jesus lhe confronta: “Verdade, porque você já teve cinco maridos e o homem que agora está com você não é seu marido”. Nessa hora ela reconhece que é uma pecadora e precisa buscar a Deus. Então em seu repentino desejo de adoração ela pergunta: “Eu quero adorar, mas onde é o lugar certo, qual a geogragia santa? É nesse monte, o Gerizim ou é em Jerusalém”? Ao que o simplificador da fé responde: “Nem nesse monte, nem em Jerusalém. Mas em qualquer lugar. Para Deus não importa o lugar, importa o adorador. É em qualquer lugar, desde que seja em espírtito e em verdade”.

Jesus simplificou a fé, não a tornemos complicada!

Weslei Pinha


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