QUANDO A POLÍTICA FAZ MAL A FÉ

A palavra polarização vem de polos, pontos opostos. Dessa forma a polarização política evidencia-se pela intensa divisão de uma sociedade em torno de temas político-ideológico. Nossa polarização brasileira assim como é em boa parte do mundo, diz respeito à divisão de preferências e opiniões (nem sempre pacíficas) relacionadas a partidos, candidatos ou ideologias.

Acredito que a forte polarização política que vivemos hoje foi impulsionada por três diferentes eventos: 1- Em 2014 por meio da disputa presidencial entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). O Partido dos Trabalhadores até então há 12 anos no poder, aumentava ano após ano uma antipatia nacional, fruto principalmente dos esquemas de corrupção revelados pela operação “Lava Jato”. 2- As manifestação populares de 2016 contra o governo Dilma, bem como toda prática de corrupção que há décadas marcava e marca boa parte dos governos em todas as nossas esferas de poder. 3- As eleições de 2018 evolvendo principalmente os candidatos de Direita, Jair Bolsonaro (PSL até então) e o candidato de Esquerda, Fernando Haddad (PT).

Especialistas políticos têm enumerado os prejuízos provocados pela acirrada polarização política numa sociedade (Vide os Estados Unidos). Alguns até chegam ver a intensa polarização política como uma séria ameaça a democracia. Mas e quanto à fé? Seria a política vivida de forma desequilibrada  em sua compreensão e ação também uma ameaça a fé proposta por Jesus nos evangelhos?

A resposta a essa pergunta é um sonoro SIM, pelos seguintes motivos:

1 – POLÍTICA COMO MEIO DE REDENÇÃO

O cristão pode e deve por meio do voto, bem como por seu envolvimento político, desejar e lutar por bons e mais justos modelos de governo. O que o cristão não pode, é depositar seja em um candidato ou em um partido, toda sua esperança de transformação da realidade a sua volta. Quando essa esperança que era depositada apenas no Soberano passa a ser entregue ao político ou a política, ela sai do campo das boas práticas sociais e ganha status de ídolo – Política como prática idólatra. Timothy Keller em seu livro “Deuses Falsos” afirma: “Podemos ver nossos líderes políticos como “messias”, nossas agendas políticas como doutrinas salvadoras e nosso ativismo político uma espécie de religião”.

Pela presença do pecado no mundo gerando imperfeição em tudo e em todos, nenhum governante ou governo será capaz de produzir os efeitos pelos quais tanto anseia o coração humano. Nossa maior esperança de redenção desde o âmbito municipal ao mundial, não deve ser depositado nos governos humanos, mas no pacífico, justo, compassivo e perfeito Governo do Cristo de Deus que há de vir. Somente Ele por meio de toda sua Sabedoria e Poder poderá fazer do mundo um novo e melhorado Éden.

2 – POLÍTICA COMO CAMPO DE GUERRA

Olhando para os ensinamentos de Jesus, não é difícil perceber que a fé cristã gira em torno do amor. Deus se definiu na Bíblia como amor (I João 4.8); O amor de Deus é a causa da nossa Salvação (João 3.16); Amor deve ser o distintivo principal do cristão (João 13.35); Amor é o resumo de toda a lei (Marcos 12.28-31); Amor é a mais excelente das virtudes (I Coríntios 13.1); Amor é a evidência de genuína conversão (I João 1.7). Diante disso, o desejo de Deus é a boa, saudável, respeitosa e amorosa relação entre aqueles que foram criados a sua imagem e semelhança. No entanto, uma das muitas cercas e obstáculos que podem interferir e impedir o exercício dessa vontade do Criador para sua criação é a equivocada e doentia prática política.

São abundantes os relatos de conflitos verbais e físicos entre amigos, familiares e desconhecidos por divergências política-ideológica. Além disso, percebemos via redes sociais uma verdadeira disseminação de ódio de ambos os lados. E pasmem os senhores, pois até aqueles que são chamados a amar até o próprio inimigo e imitar o caráter Santo do Cristo, estão entre aqueles que agridem e propagam ódio. Que cristianismo é esse?!

Diante disso, ressalto a atual e necessária advertência de Jesus aos seus odiosos e intolerantes discípulos: “…Vós não sabeis de que espirito sois.” Lucas 9.55

Infelizmente quando a política é encarada de forma desequilibrada e ausente dos princípios bíblicos, ela constitui um sério prejuízo a fé em relação a sua primordial marca – O ato de devotar amor e respeito ao próximo.

3 – IDEOLOGIA POLÍTICA CONTRA O EVANGELHO  

Ideologia política é o conjunto de ideias que molda e determina a forma que cada grupo político deve encarar diferentes pautas de governo. Dessa forma, a ideologia partidária estabelece a forma, o jeito que cada pessoa simpática ao partido ou ao líder deve pensar e agir.

O grande problema da ideologia política em relação à fé, é quando ela, mais do que o evangelho de Jesus determina nosso jeito de viver e pensar. Nossa bíblia não é e nunca será “O Capital” de Karl Marx (1867), nem tão pouco as filosofias de mercado do capitalismo selvagem de direita, nossa regra de fé e vida são as palavras de Jesus presentes principalmente nos quatro evangelhos.

Hoje percebo bem diante dos meus olhos, cristãos abandonando de forma sutil princípios claros do evangelho em nome das ideias de seu candidato ou partido.

Não sou contra a política! Sou contra a política cega que nos ilude em vê-la como instrumento de redenção. Sou contra a política violenta, que transforma meu próximo em objeto de ódio por simplesmente pensar diferente de mim. Sou contra a política maquiavélica, que inverte os valores do Reino. Que ao mau me faz chamar de bom e ao errado me leva a compreende-lo como certo.

Por cristãos mais lúcidos na política!

Weslei Pinha


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