PAIXÃO NA POLÍTICA

A regra do magnetismo passional é diferente para cada individuo. Nossos gostos e paixões por pessoas, coisas e ideias são por de mais plurais e distintas. Enquanto o futebol constitui-se em algo deslumbrante para uns, é para outros algo absolutamente desinteressante e em casos mais extremos, um esporte sem sentido. Mas se não é pelo futebol, certamente todos os humanos são apaixonados por algo.

A palavra paixão vem do latim e significa sofrer. Um sentimento muito forte em relação a uma pessoa, objeto ou tema. É um sentimento de excitação incomum que envolve fortes emoções. Não sou contra a paixão, muito pelo contrário, creio que a vida é mais interessante quando se vive de forma apaixonada. Porém vale ressaltar que a paixão, assim como o tempero deve ser usado na medida certa. Porque se assim não for, nos levará a impulsividades, desesperos e insanidades.

Quanto à política defendo a livre expressão, o envolvimento, a militância, o voto consciente, mas não vejo a paixão desmedida na política como algo saudável. Não só na política, creio que a paixão doentia é negativa e destrutiva a qualquer relação.

Quando olho para o atual cenário político brasileiro, percebo que estamos vivendo mais do que nunca uma política passional. Percebo paixões em todos os cenários políticos, com um destaque maiúsculo e significativo aos apaixonados por Lula e o PT (esquerda) e os apaixonados por Jair Bolsonaro (direita). Não está em julgamento aqui quem é melhor ou pior, mas apenas a leitura passional da situação.

Para mim, independentemente do partido ou candidato, vejo a paixão na política como algo prejudicial, destrutivo e comprometedor para uma boa e lúcida política. Destaco três negativas: 1º) Perda da noção de Limites – Caracterizado pela total entrega e mergulho vertical numa militância partidária onde valores e princípios são facilmente negociados e atitudes loucas são praticadas. 2º) Incapacidade de dialogar – Assim como uma namorada não consegue dialogar e conviver com a amiga que faz ligeiras ponderações sobre seu namorado, assim é o eleitor apaixonado, ele é incapaz de dialogar com quem não acha seu candidato tão “bonito e perfeito”. 3º) Perda de Lucidez – Afirma-se que o amor é cego. Parafraseando esse ditado, também acredito que a paixão na política cega. Pessoas que idealizam no candidato, o prefeito perfeito, o governador perfeito ou o presidente perfeito, têm sérias dificuldades de perceber seus desvios de caráter, crimes, erros e contradições.

Por fim, só acredito em um benefício da paixão na politica, a paixão do político em trabalhar pelo povo!

Por mais razão e menos paixão na política, Weslei Pinha.


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