IRMÃO NOSSO

“Pai nosso, que estás nos céus… Mateus 6.9

É nítido e perceptível tanto no Antigo quanto no Novo Testamento o exclusivismo religioso de Israel em relação a Deus. Sem dúvidas Israel era o povo de Deus, propriedade exclusiva de Deus, porém Deus nunca foi uma propriedade exclusiva nem de Israel ou qualquer outra nação.  Essa relação de exclusividade é denunciada pela falta de engajamento missionário do povo hebreu sobre as nações gentílicas.

Ouve tu nos céus, lugar da tua habitação, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, para te temerem como o teu povo de Israel… I Reis 8.43

Essa foi a “Grande Omissão” veterotestamentária de um povo dominado pelo orgulho religioso e nacionalista. Percebiam o Senhor Criador apenas como “Deus deles”, não partilhado, um Deus de nacionalidade israelita e de religião judaica. Um deus feito a sua imagem e semelhança!

A Igreja cai no mesmo erro de Israel quanto ao “monopólio de Deus”, quando deixa de ser uma agência de boas novas e transforma-se em um lugar que o fim é são seus próprios interesses e membresia. Dietrich Bonhoeffer (1906 – 1945) teólogo, pastor luterano, membro da resistência alemã antinazista, afirmou que “Igreja só Igreja quando é para os de fora”.

A oração do “Pai Nosso” é um golpe em nosso farisaico exclusivismo religioso, que também tenta (de forma inconsciente acho) “monopolizar Deus”. A oração do “Pai Nosso” é a universalização de Deus. Ela não nos ensina a chamar Deus de “Meu”, mas de “Nosso”. A oração modelo não nos leva a apenas perceber Deus como Pai, mas também o outro como irmão. Quem ora “Pai Nosso” obrigatoriamente precisa ver o outro como irmão. Dessa forma a condição para Deus ser meu Pai é eu perceber o outro como irmão.

Perceber a humanidade como uma grande irmandade é o caminho para um mundo melhor. Não é perceber como irmão apenas aqueles que vão a minha igreja, mas todos! Visto que todos vieram do mesmo Deus Criador. “Somos todos feitos do mesmo barro”! Afirmou Gutemberg Landi. Dessa forma, se eu consigo (a despeito das diferenças) perceber o outro como irmão e imagem do Criador (Gênesis 1.27) então a chance de vencermos todos os tipos de preconceitos, racismos, violência, abusos e desigualdades que assolam o mundo será significativamente maior.

Jesus restaura nossa verdadeira humanidade nos fazendo não apenas percebê-lo como Pai, mas o outro como irmão!

Weslei Pinha

 


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