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Artigo

JEITO DE PASTOR

Não parecer pastor não é uma crise pela qual sofro (até gosto de não parecer), mas pode ser a crise do outro. Preferência pelo estereótipo que é uma concepção baseada em ideias preconcebidas sobre algo ou alguém, sem o seu conhecimento real, geralmente de cunho preconceituoso, sempre foram paradigmas presentes no coração humano, até dos mais santos.

Samuel quase foi traído pela forma. Quando esteve na casa de Jessé para ungir um dos seus filhos rei de Israel, quase derramou o óleo da unção sobre Eliabe. Ao vê-lo exclamou: “Certamente está perante o Senhor o seu ungido” (I Sm. 16.6) A aparência de um legitimo rei o encantou. Mas o Senhor o corrigiu: “Não considere a sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração”. I Samuel 16.7

O final da história você já sabe, o que menos parecia rei foi o escolhido.

Estereótipo de Filho de Deus era exatamente o que Jesus não tinha. Os fariseus, aqueles que priorizavam a forma e não a essência o acusava de impostor, visto que Jesus não tinha cara e nem jeito de Messias. Séculos antes Isaias já havia previsto que ele viria sem a forma esperada:

“…Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em sua aparência para que o desejássemos”. Isaías 53.2

Davi não tinha cara e jeito de rei, mas tinham um coração real. Jesus não atendia o padrão messiânico esperado, mas foi i é, Filho Unigênito de Deus, a Pedra rejeitada pelos construtores. Diante dessas experiências duas atitudes precisam ser tomadas de ambos os lados:

1) Eliabe parecia ser e não era. Jesus não parecia ser e era. Como diz o ditado: As aparências enganam! Precisamos urgentemente abrir mão do olhar estereotipado que simplesmente desqualificam as pessoas por aquilo que elas não parecem ser aos nossos olhos.

2) É preciso que cada pessoa vítima da tirania da forma faça o mesmo que Davi e Jesus fizeram quando também foram julgados por sua aparência. E o que fizeram? Nada! Não faça nada, porque tentar provar o que você é, para quem acha que você não é, é tolice! Resolva seu coração e seja você mesmo sabendo que melhor do que parecer é ser!

Weslei Pinha

O CISCO E A TRAVE

“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho”? Mateus 7.3

É certo que todos sabemos o que é um cisco e também é certo que todos já vivemos a incomoda experiência de ter um cisco no olho. Mas o que é uma viga? Viga é uma grande peça de mareira, usada na construção de casas. Jesus então de posse desses dois objetos, o cisco e a viga, fala ao seu público e a nós de coisas imprescindíveis no campo da fé e das relações humanas.

Julgamento. “Não julgueis”, porque julgar é assumir o lugar de Deus. É tomar para si aquilo que só pertence aquele que julga de forma perfeita e reta. Diferente do reto Juíz, nosso julgamento é imperfeito e injusto, visto que nunca conhecemos todos os fatos, nem tão pouco as pessoas por inteiro. Sobre isso o rabino Hillel diz: “Não julguem a ninguém até ter conhecido toda situação e circunstâncias.” “Não julgueis”, porque ninguém é o suficientemente bom para julgar a outros. William Barclay afirma: “Ninguém tem o direito de criticar a outro se não está disposto a, pelo menos, tentar que suas ações sejam melhores que as do outro, a quem critica… Seria conveniente nos concentrarmos em nossas próprias faltas, e deixar as faltas de outros ao juízo de Deus”.

Auto Conhecimento. Temos enorme facilidade em perceber o pequeno cisco do outro, mas uma enorme dificuldade de enxergar a tão grande viga que carregamos. Nos conhecemos pouco; nos avaliamos pouco; nos questionamos pouco. Simplesmente não interrogamos nossos sentimentos; não arguimos nossas ações; não colocamos em cheque nossas reações; não olhamos para dentro; não entrevistamos a alma. Simplesmente vivemos e convivemos com sentimentos e práticas imperceptíveis que nos fazem mau por toda a vida. Perceba suas vigas ou permita que alguém as lhes mostre.

Hipocrisia. O hipócrita aqui não é apenas aquele que peca contra aquilo que condena, mas aquele que só consegue enxergar falhas e pecados alheios e nunca se dá conta dos seus. Ele é hipócrita porque é míupe em relação a seus pecados, mas extremamente perspicaz em relação aos pecados alheios.

O pastor Carlos Queiroz comentanto esse texto em seu livro “Ser é o Bastante” afirma: “Por isso a viga no olho do hipócrita é sempre maior do que o cisco no olho do irmão. Lamentavelmente, porém, o hipócrita não consegue enxergar que de fato a severidade que utiliza com o outro é decorrente do mal que se aloja na sua própria natureza”.

Weslei Pinha

A SÍNDROME DE PETER PAN

Peter Pan é um personagem infantil criado por J. M. Barrie, que há mais de cem anos é representado em peças, filmes e desenhos. O personagem é um pequeno rapaz que se recusa a cresce e passa a vida a ter aventuras mágicas na Terra do Nunca. Nesse lugar mágico, Peter Pan, a fada Sininho, Wendy e outras crianças, travam diversas disputas contra seu arqui-inimigo, o Capitão Ganho.

Assim como na fabulosa e engenhosa história de Barrie, onde sua ilustre criação não cresce, no mundo real também estamos rodeados de pessoas assim, daquelas que não querem crescer, amadurecer, evoluir. A esse mal Dr. Dan Kiley chamou na década de 80 de “A Síndrome de Peter Pan” ou “síndrome do homem que nunca cresce”.

Segundo Kiley, o indivíduo tende a apresentar rasgos de irresponsabilidade, rebeldia, cólera, narcisismo, dependência e negação ao envelhecimento. Geralmente crianças superprotegidas adquirem este distúrbio que pode levar para vida toda.

Assim como na sociedade, a Igreja como parte dela, também tem os seus “Peter Pans”. São pessoas que há anos afirmam seguirem numa comunidade de fé, mas que infelizmente ainda são pessoas infantes na fé. Estes tem seu desenvolvimento comprometido principalmente pela incapacidade de reconhecer que seus sentimentos, motivações e atitudes, nada tem haver com Cristo e seu evangelho.

A ordem de Pedro é “cresçam”, mas eles preferem a mediocridade. São verdadeiros “pigmeus evangélicos”, que continuam a valorizar o secundário; estão mais interessados na letra da lei do que em seu espirito; valorizam coisas e não pessoas; se empenham mais pelo ter do que pelo ser; desprezam o interno em detrimento do externo; preferem a atenção dos homens do que a de Deus.

Que o Senhor nos dê lucidez para perceber o quão pouco ou nada evoluímos durante todo esse tempo. Que o Senhor nos arranque da infantilidade cristã e nos transporte para um outro patamar de maturação. E como bem disse o apóstolo “que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, CRESÇAMOS em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”. Efésios 4.14,15.

Pense Nisso!

Weslei Pinha

O MUNDO DE MARTA

Lucas 10 fala-nos da experiência das irmãs Marta e Maria de receberem Jesus em sua casa, no povoado de Betânia. Ao perceber tão gritante comportamento de ambas ante da presença do Mestre, cheguei a conclusão que nosso mundo é muito parecido com o mundo de Marta. Compare:

1 – Vivemos no mundo das distrações, onde tudo nos distrai e nos impede de desfrutar e perceber aquilo que realmente importa.

2 – Vivemos no mundo onde o trabalho ganha cada vez mais status divinos, pois passamos a vê-lo como aquilo que trás sentido a vida e até mesmo redenção.

3 – Vivemos no mundo marcado pela vida acelerada. Vida de tão acelerada, que mesmo quando se para, a mente continua a funcinar a todo vapor.

4 – Vivemos no mundo onde o menos importante, se torna o mais importante. É incrível nossa capacidade de se empenhar por aquilo que é secundário ou até mesmo fútil.

5 – Vivemos no mundo onde o material sobrepuja o espiritual. Onde o passageiro suplanta aquilo que é eterno. Onde as coisas do alto perdem para as coisas de baixo.

6 – Vivemos no mundo onde coisas são mais importantes que pessoas. Onde afazeres domésticos são capazes de nos impedir de assentar e entregar os ouvidos da alma ao Filho de Deus.

7 – Vivemos no mundo onde o prazer da vida se concentra nas coisas criadas e não no Criador das coisas.

8 – Vivemos no mundo onde não se assenta. Nosso estilo de vida é marcado pelo estar em pé, sempre de prontidão para a próxima atividade. Nada é desfrutado, porque sempre há um horário maracado.

Esse é o mundo de Marta, que também pode ser o nosso!

Weslei Pinha

RELIGIÃO DESCOMPLICADA

Quando falo em religião descomplicada, penso em um possível diálogo na eternidade entre o Pai e o Filho. Penso no Deus Pai dizendo: “Filho, eu lhe envio ao mundo para também tornar a fé mais simples”. Mesmo que o diálogo não tenha ocorrido, fato é que dentre seus feitos, Jesus tornou toda expressão fé algo mais simples a ser crido e praticado.

Ele simplificou o acesso a Deus. Antes de Cristo o acesso a Deus era envolto em burocracias. Se alguém desejava se aproximar do Criador, pelo menos 3 elementos eram fundamentais: Sacerdote, Templo e Sacrifício. Era preciso uma figura humana para intermediar o contado (sacerdote); Era preciso estar numa geografia santa (Templo Judeu em Jerusalém); Além disso, esse cidadão ansioso pela presença de Deus não poderia se apresentar de mãos vazias, ele precisa apresentar uma oferta (sacrificio).

Depois de séculos de tantas restrições ao Divino, Jesus, o descomplicador da fé aparceu assentado sobre um monte e afirmando:  “Não é mais necessário nada disso, basta você entrar em seu quarto, fechar a porta e orar a teu Pai que te vê, te contempla no secreto, na solitude, e o teu Pai que te vê te recompensará” (Mateus 6.6). Não é mais necessário uma pessoa especial, um lugar especial ou uma oferta especial. Acabou a burocracia! Basta clamar com a voz da alma e o coração cheio de fé e de quebrantamento.

Ele simplificou a obediência. As leis de Moisés eram um total de 613 mandamentos, sendo que 365 eram proibitivas e 248 instruções positivas. Agora imagine, 613 leis, mais centenas de regulamentações criadas pela tardição religiosa. Estamos falando de mais de mil preceitos. Uma obediência complexa, burocrática e pesada. Sobre isso Jesus advertiu:

Eles (os inventores de mandamentos) atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens… Mateus 23.4

Um dia Jesus estava entre os apaixonados por leis, regras e estatutos e disse: “Não são 613 mandamentos ou mais, são apenas dois: Amem a Deus de todo coração e amem ao próximo”. Mateus 22.37-39

A religião de Jesus não é uma religião de leis. A religião de Jesus é uma religião de amor!

Ele simplificou a adoração. Uma das burocracias na adoração tinha haver com a geografia, o lugar. Para o judeu estar no lugar certo fazia toda a diferença na adoração. O que pode ser facilmente percebido através do diálogo entre Jeus e a mulher de Samaria da cidade de Sicar (João 4). O texto afirma que essa mulher veio tirar água no poço onde Jesus estava assentado. Nesse momento Jesus lhe oferece uma água especial, Divina capaz de matar toda a sua sede existencial. A mulher mesmo sem entender perfeitamente de que  tipo de água Jesus estava falando, se interessa: “Senhor, me dê dessa água…” Ao que Jesus lhe condiciona: “Eu lhe dou, mas primeiro volte a cidade e traga seu marido”. Ela então responde: “Eu não tenho marido”. Jesus lhe confronta: “Verdade, porque você já teve cinco maridos e o homem que agora está com você não é seu marido”. Nessa hora ela reconhece que é uma pecadora e precisa buscar a Deus. Então em seu repentino desejo de adoração ela pergunta: “Eu quero adorar, mas onde é o lugar certo, qual a geogragia santa? É nesse monte, o Gerizim ou é em Jerusalém”? Ao que o simplificador da fé responde: “Nem nesse monte, nem em Jerusalém. Mas em qualquer lugar. Para Deus não importa o lugar, importa o adorador. É em qualquer lugar, desde que seja em espírtito e em verdade”.

Jesus simplificou a fé, não a tornemos complicada!

Weslei Pinha

DEUS NO ORDINÁRIO

Deus no ordinário é Deus no simples, no comum, naquilo que tende a acontecer com frequência. Mesmo Deus sendo quem Ele é, decidiu desde sempre a se revelar de forma ordinária. Porém, há nesse paradigma do Deus extraordinário que se revela de forma ordinária, o dilema da incapacidade humana em percebê-lo e ouvi-lo em meio ao simples e ao normal. Isso explica-se por nossa expectativa sempre extravagante e ineditista quanto a manifestação de Deus. Esperamos sempre pela sarça que se queima e não se consome, pelo templo tomado pela fumaça de glória, pelo sinal miraculoso ou ainda pelo anjo que vem do céu com a mensagem Divina. É por essa mentalidade cristã holywoodiana da revelação de Deus que perdemos a oportunidade de desfrutarmos de grandes e marcantes encontros com o Criador através do ordinário.

Mas diferente da nossa evidente falta de sensibilidade e percepção do Divino, o profeta Elias foi alguém que teve a capacidade de ver Deus no ordinário, no simples. Nesse tempo Elias vivia uma profunda crise ministerial e existencial, evidenciadas por seu desejo de abandonar o chamado profético, bem como a própria vida. É nesse tempo de crises que o Eterno se revela a Elias:

O Senhor lhe disse: “Saia e fique no monte, na presença do Senhor, pois o Senhor vai passar”. Então veio um vento fortíssimo que separou os montes e esmigalhou as rochas diante do Senhor, mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto houve um fogo, mas o Senhor não estava nele. E depois do fogo houve um murmúrio de uma brisa suave. Quando Elias ouviu, puxou a capa para cobrir o rosto, saiu e ficou à entrada da caverna. E uma voz lhe perguntou: “O que você está fazendo aqui Elias?” I Reis 19.11-13

Aqui, como na maioria das vezes Deus não estava no extraordinário, mas em um simples, comum e normal vento suave e fresco. Elias com sua percepção espiritual aguçada, percebeu Deus no ordinário e isso foi algo transformador e renovador para sua vida.

Precisamos assim como Elias, desevolver uma necessária e urgente percepção deslumbrante de Deus nas coisas mais simples e comuns. Isso implica em percebê-lo na natureza, nas atividades do dia a dia, nas circunstâncias boas e ruins da vida, nas conversas e nos encontros informais, bem como nas reuniões e nos cultos mais comuns de nossas igrejas.

Pastor Elienai Cabral Júnior em seu livro “Salvos da Perfeição” fala dentre outras coisas, da necessidade de encontrarmos com Deus na esquina. Do encontro fácil e simples nas esquinas da nossa rotina, ausente de expectativas erradas e burocracias religiosas.

Minha oração é que assim como os olhos de Geazi servo de Eliseu foram abertos, os nossos também se abram para contemplação da Glória de Deus nas coisas ordinárias, que segundo Isaias enche toda a terra.

Weslei Pinha

O PEQUENO GRUPO E A DESCENTRALIZAÇÃO DO TEMPLO

O livro de Atos dos Apóstolos, bem como as cartas paulinas nos apresentam de forma fiel a prática de vida dos primeiros cristãos. Essas informações vão desde suas crenças, devoção, ações evangelisticas, bem como forma e locais de suas reuniões. Sobre essa última prática, Lucas afirma em Atos 5.42:

“E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo.”

É valioso o relato de Lucas, visto que somos informados que nossos irmãos primitivos não viam o templo como único lugar de reunião para adoração e comunhão, mas também seus lares.

1 – A IGREJA PRIMITIVA NO TEMPLO

É preciso que se diga que o templo mencionado por Lucas em Atos 5.42, não é um templo cristão, construido pelos discípulos, mas trata-se do templo judeu, situado em Jerusalém.

Os discípulos do primiero século, residentes em Jerusalém faziam uso de uma parte do templo judáico, como nos apresneta Lucas em Atos 2.46; 3.1; 5.42; 22.17. Como o templo historicamente era o local de adoração a Deus do povo judeu, os cristãos de Jerusalém o ultilizavam com o objetivo de também cultar e ensinar.

Mas essa relação da Igreja Primitiva e o templo judeu não demorou muito, por pelo menos 2 motivos: PRIMEIRO A PERSEGUIÇÃO JUDAICA. Lucas afirma que após a morte de Estevão foi iniciada uma severa perseguição aos discípulos que estavam em Jerusalém.

Atos 8.1 – E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos.

Pela perseguição e ostilidade dos líderes judaicos, os discípulos deixaram de fazer uso do templo de forma frequente e pacífica como antes.

SEGUNDO DESTRUIÇÃO DO TEMPLO. Outro fator que determinou o fim de todas as relações entre a Igreja Primitiva e o templo, foi sua destruição. No ano 70 d.C, com a invasão do exército romano a Jerusalém, liderado pelo general Tito, os judeus foram massacrados e o templo foi destruido. Cumprindo assim a profecia de Jesus: Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada. Mateus 24.2

2 – A IGREJA PRIMITIVA NAS CASA

Não ter um lugar exclusivo e “sagrado” para culto não incomodava os discípulos, eles tinham as casas. Nunca foram reféns do templo, como nos informa Lucas “…e nas casas…”. Nossos irmãos primitivos viam suas casas como espaços para adoração, comunhão e ensino das verdades de Cristo.

Lucas e Paulo nos confirma isso através de diversos textos: Atos 2.2; 2.46; 12.12; 16.32; 18.7-11; 20.20; Rm. 16.5; I Co. 16.19; Cl. 4.15; Fm. 1.2.

Destaque para 6 passagens:

• Atos 2.2 – “E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados”.
• Atos 12.12 – “E, considerando ele nisto, foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e oravam”.
• Romanos 16.5 – “Saudai também a igreja que está em sua casa…”
• I Coríntios 16.19 – “As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor áqüila e Priscila, com a igreja que está em sua casa”.
• Colossenses 4.15 – “Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa”.
• Filemom 1.2 – “E à nossa amada Áfia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa…”

Os textos acima refletem a realidade da igreja em quase 300 anos – Reuniões realizadas exclusivamente nas casas. As descobertas arqueológicas, confirmam que os lugares dedicados especificamente ao culto é posterior a metade do século III d.C. A igreja mais antiga descoberta até agora é a de Dura-Europos, que data aproximadamente do ano 270. Mesmo assim, essa igreja não passa de um pequena casa, como uma decoração muito simples, em nada se comparando aos templos cristãos de hoje.

A transição Casas/Templos, só se consolidou no século IV. O historiador cubano Justo González afirma que “Até a época de Constantino o culto cristão tinha sido relativamente simples. No princípio os cristãos se reuniam para adorar em casas particulares. Depois começaram a se reunir também em cemitérios, como as catacumbas romanas”. Só no século IV d.C com o governo de Constantino e seus sucessores que templos luxuosos são construídos e a prática das reuniões nos lares diminuem quase por completo.

Mesmo diante dessas mudanças, as concentrações nos lares não deixaram de existir no decorrer da história da igreja. Diversos grupos cristãos desenvolveram também esse hábito primitivo. Tais como: valdenses, pietistas, metodistas, bem como os batistas no Brasil através dos NEB’s na década de 80.

Hoje as igrejas brasileiras precisam, inspirados pelos primitivos cristãos, redescobrir as casas também, como espaços de adoração e discipulado. Para o pastor Ed René Kivitz em seu livro Quebrando Paradigmas “O Novo Testamento mostra que a vida cristã é uma vida de relacionamentos e os Pequenos Grupos são instrumentos capazes de possibilitar mutualidade e mobilização”.

“E todos os dias, no templo e nas casas…”

Weslei Pinha

BIOGRAFIA

GONZÁLEZ, Justo L. Era dos Gigantes. Editora Vida Nova. São Paulo-SP. 2002.

HURLBUT, Jesse Lyman. História da Igreja Cristã. Editora Vida. São Paulo-SP. 1979.

KIVITZ, Ed Rene. Quebrando Paradigmas. Editora Abba. São Paulo-SP. 2008

TUNALA, Marcio. Pequeno Grupo Multiplicador. Editora Convicção. São Paulo-SP. 2014

A TIRANIA DO RÓTULO

Talvez, nunca na história desse pais se rotulou tanto. Rotular é uma qualificação simplista, fruto de avaliações superficiais, preconceituosas e muitas vezes isoladas. A verdade é que gostamos de rotular e definir pessoas em uma palavra, algo cruel e injusto devido a falta de conhecimento e informações suficientes, além de ser um reducionismo humano, já que cada cidadão por sua grandeza, não pode ser resumido de forma tão simplista e medíocre.

Esse hábito tão presente na sociedade brasileira nas conversas de bares e esquinas, se revelou mais profundo e intenso, e creio que mais potencializado, com o advento das redes sociais, bem como nas eleições de 2018. Hoje vivemos sem dúvidas, uma opressão, uma tirania de rótulos.

Não gosto dos rótulos porque além do que já foi dito, eles carregam consigo um conceito pejorativo e preconceituoso por parte de quem rotula. Estamos tão contaminados por essa praga que qualquer frase, pensamento, texto, ação ou posicionamento, logo é interpretado e rotulado de comunista, capitalista, fascista, petista, feminista, machista, golpista, corrupto, liberal, intolerante, alienado, radical, racista, e por aí vai.

É verdade que alguns rótulos aplicados condizem com a verdade dos fatos, mas é preferível evitá-los, já que na maioria das vezes constitui-se em um julgamento simplista, superficial, precipitado, equivocado, partidarista e preconceituoso.

Fui e sou vítima da tirania do rótulo (e quem não é?). Lembro-me de ter ido ás redes na última eleição me posicionar contrário ao pseudo comportamento evangélico, mais preocupado com sexo do que com justiça social, uma típica prática de fariseus moralistas que coam mosquitos enquanto engolem camelos. Mesmo amando e respeitando, mas não concordando com o comportamento homossexual e sem nunca ter votado no PT, fui crucificado. Hoje tenho até medo de expor algumas opiniões sobre o atual cenário social, marcado pelo “glaucoma político” que cega direita e esquerda. Isso é a intimidação do rótulo.

Diferente disso, meu Mestre não tinha problemas com rótulos. Para ele a pessoa humana era bem mais que uma etiqueta social, era imagem e semelhança do Criador. Além disso, durante seu ministério era conhecido entre a classe religiosa como “amigo de pecadores” (Mt. 11.19). Um rótulo pejorativo fruto da inveja religiosa, mas que em Jesus, constituía-se o maior dos elogios.

Pare de etiquetar pessoas! Mais respeito, mais tolerância!

Weslei Pinha

SAUDADE DO MEU CAMPO

O “meu campo” ficava onde ficava a maioria dos campos espalhados pelo Brasil, em um terreno ainda não explorado pelo mercado imobiliário. Meu campo era na verdade um campinho, um campinho de travinha, onde se jogava apenas quatro pessoas em cada time.

Era ali, no meu campo, que floreciam sonhos. Era do campinho que eu, Jô, Alisson, Murilo, Bahia e Tiago sonhavamos com os “campões”. Mas o meu campo não era apenas uma fábrica de sonhos, foi uma fábrica de saúde, fábrica de amigos, fábrica de ocupação, fábrica de formação.

No meu campo havia brigas, mas também havia perdão. No meu campo havia havia choro, mas havia alegria. Havia ofensas, mas havia elogios; havia egoísmo, mas havia generosidade; havia intolerância, mas havia compreensão. Meu campo era nada mais, nada menos que o reflexo da vida. E se a vida ensina, o campo também ensinou.

Meu campo não era longe de casa, na verdade era em frente de casa. Rua Itália, na altura do número 900. Chegava da escola, almoçava, assistia “Os Cavaleiros do Zodíaco” e ficava de “orelha em pé”. Ao soar de qualquer ruindo futebolístico, era só passar pelo portão e eu já estava em campo.

Quando a área passou ser ocupada foi a realização de uns e tristeza de outros. Não foram apenas os jovens boleiros que perderam, até minha avó perdeu, já que passou a vender menos brasinha (geladinha) pela ausência de peladeiros e torcida. É verdade que alguns da vizinhança deram graças a Deus, já que havia alguns incomodos, como os palavrões.

O tempo passou e aquilo que era “nosso”, agora tem dono. Casas grandes e luxuosas estão lá. Hoje se a nova geração da Feirinha e do Bela Vista quiserem jogar travinha terão de fazê-lo na rua ou ir bem longe atrás de um campo. Não sei, mas me parece haver uma ligação entre a diminuição de campos em terrenos baldios e a diminuição de interesse pelo futebol, bem como a diminuição de craques.

Meu campo se foi, mas deixou seu legado!

Weslei Pinha

NEM SÓ DE “MARIAS” VIVERÁ UMA IGREJA

O comportamento das irmãs Marta e Maria diante da ilustre visita de Jesus em seu lar, me fez pensar na igreja e no nosso jeito de ser igreja. Maria foi aquela que reconhecendo o valor da presença de Jesus e de suas Palavras se assentou aos seus pés, uma clara atitude de devoção e humildade. Maria está totalmente entregue, compenetrada àquele momento impar e nada poderá movê-la dali. O Reino de Deus carece de gente assim. Gente que viva e expresse sua profunda relação de amor e devoção a Deus em todas as geografias. De gente que compreenda que o Reino deve ser primário. De gente que valorize a igreja e assim como Maria tenha prazer em se assentar, cultuar com devoção e entusiasmo, além de ouvir a voz de Deus com prazer e reverência.

Quanto a Marta, irmã da devota Maria, teve um comportamento distinto diante da mesma situação. Marta tomada também do senso de responsabilidade não se sentou como fez Maria. Hospitaleira que era, decidiu oferecer o melhor ambiente e o melhor trato aos visitantes, a Jesus e seus doze inseparáveis discípulos. Enquanto todos estavam sentados, Marta permanecia em pé. Enquanto todos desfrutavam daquele tempo de devoção, Marta servia.

É linda a atitude de Maria, mas a atitude de Marta não pode ser por completo desprezada. A Igreja precisa de “Marias”, discípulos que amem se assentar para ouvir as verdades de Deus e celebrar seu nome. Mas a igreja também precisa de “Martas”, pessoas interessadas e entregues ao princípio do serviço. O propósito de Deus na salvação não é nos fazer sentar nas regiões celestiais para uma vida de contemplação, mas nos levantar em punho de bacias e toalhas nos unir a Ele em uma missão. Um pensamento atribuido a alguns líderes mundiais, dentre eles Mahatma Gandhi, afirma que “quem não vive para servir, não serve para viver.”

Hoje as igrejas evangélicas brasileiras repetem a mesma cena de Lucas 10. Muitos sentados, enquanto poucos servem! São muitas “Marias” e poucas “Martas”.

Precisamos imitar Maria em seu estilo devocional, mas também é verdade que precisamos imitar Marta em seu estilo servidor. Creio que a Igreja de Jesus se completa no comportamento dessas irmãs – Maria e Marta, devoção e serviço!

Weslei Pinha