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Artigo

Igrejas Burocráticas

Burocracia segundo o dicionário de língua portuguesa é uma estrutura composta por excessos de regras, processos e hierarquias. Quem nunca viveu a estressante necessidade de ter que apresentar não poucos documentos para a simples aquisição de um bem, ou ainda a cansativa obrigação de comprovação de ser quem você afirma ser. Junte a isso os diferentes órgãos e instâncias que devem ser buscados para resolução de uma mesma causa. Sem mencionar da morosidade na conclusão dessas ações.

Não para nossa surpresa várias organizações mundiais classificaram o Brasil como um dos países mais burocráticos do mundo. Uma delas foi o Institute of Managerial Development (IMD), que em pesquisa com 61 nações concluiu que somos o país onde a burocracia mais prejudica a atividade econômica.

Que as mais diferentes áreas da sociedade brasileira como econômica, jurídica e política estão tomadas de processos burocráticos isso não temos dúvidas, mas o que estive pensando recentemente é que o fenômeno burocrático não é um “privilégio”  vivido apenas na dimensão do cotidiano humano e suas labutas, mas também na dimensão religiosa, falo de igrejas cristã altamente burocráticas, as quais cultivam por décadas excessos de regras, processos e hierarquias.

Quem é o culpado? A quem podemos responsabilizar pela burocratização das comunidades cristãs? Penso que a institucionalização da mesma é sem dúvidas a causa. Quando a Igreja do Cristo se torna mais instituição e menos comunidade à burocratização, os excessos de estruturas e processos é consequência certa.

Será que quando Jesus criou a igreja (Mateus 16.18,19) ele tinha o desejo que fôssemos o que muitas de nossas igrejas são hoje? Comunidades marcadas pelas burocracias institucionais. Com base no que lemos nos evangelhos e em Atos dos Apóstolos a resposta é não! Para isso, observe por meio das atitudes e falas de Jesus, bem como nos atos dos primeiros discípulos que o desejo do Cristo para sua comunidade de fé era i é, simplicidade e leveza em todas as suas áreas e processos:

João 4.21;23 – Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai (…) Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

João 8.10,11 – Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.

 Atos 8.36-38 – E, indo eles caminhando, chegaram ao pé de alguma água, e disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que eu seja batizado?  E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. E mandou parar o carro, e desceram ambos à água, tanto Filipe como o eunuco, e o batizou.

 I Coríntios 11.28Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice.

Adoração desburocratizada; trato com o pecado desburocratizado; batismo desburocratizado e ceia desburocratizada. Há quem diga que essa proposta de igreja promova bagunça e desordem, penso exatamente o contrário. Simplicidade em amor é a mais pura ordem!

Weslei Pinha

PASTOR: UMA DAS ATIVIDADES MAIS ESTRESSANTES DO MUNDO

PASTOR: UMA DAS ATIVIDADES MAIS ESTRESSANTES DO MUNDO

O instituto de pesquisa irlandês SWNS presentou há quase 10 anos uma pesquisa amplamente divulgada nos grandes sites e revistas do Brasil, um estudo sobre as profissões mais estressantes do mundo. Nela líder religioso aparece entre as 10 atividades que mais dão dor de cabeça no mundo.

Para grande parte das pessoas (até mesmo membros de comunidades evangélicas) que não conhecem e não entendem a dinâmica do ministério pastoral, ser pastor é algo tranquilo e cômodo. Mas isso está longe de ser uma verdade por pelo menos 5 motivos:

1 – UMA EXPECTATIVA POR QUASE PERFEIÇÃO
Quando esperamos que o pastor acerte sempre; Quando nos revoltamos com pequenos deslizes em relação ao trato; Quando não toleramos suas também fragilidades emocionais ou equívocos na liderança, sem levar em consideração que estamos diante de um ser humano, então desumanizamos a figura do pastor e passamos esperar dele, aquilo que ele não tem e não pode oferecer – perfeição, acertos em tudo. Um dia uma irmã de nossa comunidade de fé me abraçou e disse: “As pessoas precisam entender que você é gente”! As comunidades cristãs precisam entender que pastor é gente, gente em processo de santificação como todos.

2 – SITUAÇÕES QUE ENVOLVEM EMOÇÕES EXTREMAS
Sábado dia 2 de novembro de 2018, eu estava em um retiro de jovens. Um ambiente marcado de muita alegria. Mas ao final daquele dia eu recebi uma ligação trazendo a triste notícia da morte de uma irmã de nossa comunidade. Então saí daquele ambiente de alegria para um ambiente de luto. E depois de realizar o culto fúnebre, tive que retornar para o retiro.

Em meu curto ministério já vivi várias situações semelhantes. Pastores convivem o tempo todo com notícias boas e ruins, situações alegres e tristes. E nessa dinâmica que envolvem situações emocionais tão extremas, o pastor convive com o perigo da somatização, que são doenças causadas por alterações emocionais.

3 – POR SEU PRINCIPAL OBJETO DE TRABALHO, GENTE
O principal objeto de trabalho do pastor não são papéis; Não é com material de construção ou gêneros alimentícios; Não é com objetos inanimados. O principal objeto de trabalho do pastor é gente!

É principalmente por seu lidar com gente que a atividade pastoral está entre as mais estressantes do mundo.

O pastor lida com pessoas curadas, mas lida também com pessoas profundamente doentes de alma; Lida com pessoas gratas que reconhecem sua contribuição, mas lida também com pessoas ingratas, que sofrem de encurtamento da memória; Lida com pessoas amorosas, mas lida também com pessoas amarguradas e desagradáveis; Lida com pessoas resolvidas, mas lida também com pessoas altamente complexadas. Gente as quais o pastor deve tolerar suas limitações e conduzi-las por um caminho de mudança.

4 – MÚLTIPLOS PAPÉIS
O que se espera de um profissional da área de vendas? Que ele venda.
O que se espera de um profissional da área de administração? Que ele administre.
E de um advogado? Que ele advogue.

E de um pastor? Que ele pregue certo? Errado! Espera-se mais.

Pastor precisa ser um bom conselheiro, um bom Juiz de paz, um bom assistente social, um bom coordenador de voluntários, gerente de eventos, administrador, professor, palestrante, escritor… Mais alguma coisa?

Um pastor nunca é só um pastor!

Porém, o que muitos ainda não sabem é que segundo Atos cap. 6, o principal papel vocacional do pastor é o ensino das escrituras. Tudo que se faz além é graça de Deus na vida do pastor e graça do pastor na vida da Igreja.

5 – AS CONTRADIÇÕES DA COMUNIDADE EM RELAÇÃO A FÉ
As contradições da comunidade em relação à fé é o abismo entre a fé e a prática. É aquilo que a Bíblia diz que devemos ser e fazer, mas que parte da comunidade ignora. Tais contradições constituem em mais um peso no ministério, gerando no coração do verdadeiro pastor tristezas e angustias.

Diante de tudo isso cito as palavras de dois pastores, Ricardo Agreste e Gerson Borges:

“As nossas igrejas precisam olhar para os nossos pastores com mais carinho, precisamos aprender a honrar àqueles que se dedicam com seriedade, precisamos aprender a honrar àqueles que se dão sem limites”.

“O pastor, como os profissionais da saúde, os policiais e outras carreiras de risco, deveriam ser cuidados e não apenas cuidar. Quem cuida do pastor”?

Do também Pastor Weslei Pinha

JEITO DE PASTOR

Não parecer pastor não é uma crise pela qual sofro (até gosto de não parecer), mas pode ser a crise do outro. Preferência pelo estereótipo que é uma concepção baseada em ideias preconcebidas sobre algo ou alguém, sem o seu conhecimento real, geralmente de cunho preconceituoso, sempre foram paradigmas presentes no coração humano, até dos mais santos.

Samuel quase foi traído pela forma. Quando esteve na casa de Jessé para ungir um dos seus filhos rei de Israel, quase derramou o óleo da unção sobre Eliabe. Ao vê-lo exclamou: “Certamente está perante o Senhor o seu ungido” (I Sm. 16.6) A aparência de um legitimo rei o encantou. Mas o Senhor o corrigiu: “Não considere a sua aparência nem sua altura, pois eu o rejeitei. O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração”. I Samuel 16.7

O final da história você já sabe, o que menos parecia rei foi o escolhido.

Estereótipo de Filho de Deus era exatamente o que Jesus não tinha. Os fariseus, aqueles que priorizavam a forma e não a essência o acusava de impostor, visto que Jesus não tinha cara e nem jeito de Messias. Séculos antes Isaias já havia previsto que ele viria sem a forma esperada:

“…Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em sua aparência para que o desejássemos”. Isaías 53.2

Davi não tinha cara e jeito de rei, mas tinham um coração real. Jesus não atendia o padrão messiânico esperado, mas foi i é, Filho Unigênito de Deus, a Pedra rejeitada pelos construtores. Diante dessas experiências duas atitudes precisam ser tomadas de ambos os lados:

1) Eliabe parecia ser e não era. Jesus não parecia ser e era. Como diz o ditado: As aparências enganam! Precisamos urgentemente abrir mão do olhar estereotipado que simplesmente desqualificam as pessoas por aquilo que elas não parecem ser aos nossos olhos.

2) É preciso que cada pessoa vítima da tirania da forma faça o mesmo que Davi e Jesus fizeram quando também foram julgados por sua aparência. E o que fizeram? Nada! Não faça nada, porque tentar provar o que você é, para quem acha que você não é, é tolice! Resolva seu coração e seja você mesmo sabendo que melhor do que parecer é ser!

Weslei Pinha

O CISCO E A TRAVE

“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho”? Mateus 7.3

É certo que todos sabemos o que é um cisco e também é certo que todos já vivemos a incomoda experiência de ter um cisco no olho. Mas o que é uma viga? Viga é uma grande peça de mareira, usada na construção de casas. Jesus então de posse desses dois objetos, o cisco e a viga, fala ao seu público e a nós de coisas imprescindíveis no campo da fé e das relações humanas.

Julgamento. “Não julgueis”, porque julgar é assumir o lugar de Deus. É tomar para si aquilo que só pertence aquele que julga de forma perfeita e reta. Diferente do reto Juíz, nosso julgamento é imperfeito e injusto, visto que nunca conhecemos todos os fatos, nem tão pouco as pessoas por inteiro. Sobre isso o rabino Hillel diz: “Não julguem a ninguém até ter conhecido toda situação e circunstâncias.” “Não julgueis”, porque ninguém é o suficientemente bom para julgar a outros. William Barclay afirma: “Ninguém tem o direito de criticar a outro se não está disposto a, pelo menos, tentar que suas ações sejam melhores que as do outro, a quem critica… Seria conveniente nos concentrarmos em nossas próprias faltas, e deixar as faltas de outros ao juízo de Deus”.

Auto Conhecimento. Temos enorme facilidade em perceber o pequeno cisco do outro, mas uma enorme dificuldade de enxergar a tão grande viga que carregamos. Nos conhecemos pouco; nos avaliamos pouco; nos questionamos pouco. Simplesmente não interrogamos nossos sentimentos; não arguimos nossas ações; não colocamos em cheque nossas reações; não olhamos para dentro; não entrevistamos a alma. Simplesmente vivemos e convivemos com sentimentos e práticas imperceptíveis que nos fazem mau por toda a vida. Perceba suas vigas ou permita que alguém as lhes mostre.

Hipocrisia. O hipócrita aqui não é apenas aquele que peca contra aquilo que condena, mas aquele que só consegue enxergar falhas e pecados alheios e nunca se dá conta dos seus. Ele é hipócrita porque é míupe em relação a seus pecados, mas extremamente perspicaz em relação aos pecados alheios.

O pastor Carlos Queiroz comentanto esse texto em seu livro “Ser é o Bastante” afirma: “Por isso a viga no olho do hipócrita é sempre maior do que o cisco no olho do irmão. Lamentavelmente, porém, o hipócrita não consegue enxergar que de fato a severidade que utiliza com o outro é decorrente do mal que se aloja na sua própria natureza”.

Weslei Pinha

A SÍNDROME DE PETER PAN

Peter Pan é um personagem infantil criado por J. M. Barrie, que há mais de cem anos é representado em peças, filmes e desenhos. O personagem é um pequeno rapaz que se recusa a cresce e passa a vida a ter aventuras mágicas na Terra do Nunca. Nesse lugar mágico, Peter Pan, a fada Sininho, Wendy e outras crianças, travam diversas disputas contra seu arqui-inimigo, o Capitão Ganho.

Assim como na fabulosa e engenhosa história de Barrie, onde sua ilustre criação não cresce, no mundo real também estamos rodeados de pessoas assim, daquelas que não querem crescer, amadurecer, evoluir. A esse mal Dr. Dan Kiley chamou na década de 80 de “A Síndrome de Peter Pan” ou “síndrome do homem que nunca cresce”.

Segundo Kiley, o indivíduo tende a apresentar rasgos de irresponsabilidade, rebeldia, cólera, narcisismo, dependência e negação ao envelhecimento. Geralmente crianças superprotegidas adquirem este distúrbio que pode levar para vida toda.

Assim como na sociedade, a Igreja como parte dela, também tem os seus “Peter Pans”. São pessoas que há anos afirmam seguirem numa comunidade de fé, mas que infelizmente ainda são pessoas infantes na fé. Estes tem seu desenvolvimento comprometido principalmente pela incapacidade de reconhecer que seus sentimentos, motivações e atitudes, nada tem haver com Cristo e seu evangelho.

A ordem de Pedro é “cresçam”, mas eles preferem a mediocridade. São verdadeiros “pigmeus evangélicos”, que continuam a valorizar o secundário; estão mais interessados na letra da lei do que em seu espirito; valorizam coisas e não pessoas; se empenham mais pelo ter do que pelo ser; desprezam o interno em detrimento do externo; preferem a atenção dos homens do que a de Deus.

Que o Senhor nos dê lucidez para perceber o quão pouco ou nada evoluímos durante todo esse tempo. Que o Senhor nos arranque da infantilidade cristã e nos transporte para um outro patamar de maturação. E como bem disse o apóstolo “que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, CRESÇAMOS em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”. Efésios 4.14,15.

Pense Nisso!

Weslei Pinha

O MUNDO DE MARTA

Lucas 10 fala-nos da experiência das irmãs Marta e Maria de receberem Jesus em sua casa, no povoado de Betânia. Ao perceber tão gritante comportamento de ambas ante da presença do Mestre, cheguei a conclusão que nosso mundo é muito parecido com o mundo de Marta. Compare:

1 – Vivemos no mundo das distrações, onde tudo nos distrai e nos impede de desfrutar e perceber aquilo que realmente importa.

2 – Vivemos no mundo onde o trabalho ganha cada vez mais status divinos, pois passamos a vê-lo como aquilo que trás sentido a vida e até mesmo redenção.

3 – Vivemos no mundo marcado pela vida acelerada. Vida de tão acelerada, que mesmo quando se para, a mente continua a funcinar a todo vapor.

4 – Vivemos no mundo onde o menos importante, se torna o mais importante. É incrível nossa capacidade de se empenhar por aquilo que é secundário ou até mesmo fútil.

5 – Vivemos no mundo onde o material sobrepuja o espiritual. Onde o passageiro suplanta aquilo que é eterno. Onde as coisas do alto perdem para as coisas de baixo.

6 – Vivemos no mundo onde coisas são mais importantes que pessoas. Onde afazeres domésticos são capazes de nos impedir de assentar e entregar os ouvidos da alma ao Filho de Deus.

7 – Vivemos no mundo onde o prazer da vida se concentra nas coisas criadas e não no Criador das coisas.

8 – Vivemos no mundo onde não se assenta. Nosso estilo de vida é marcado pelo estar em pé, sempre de prontidão para a próxima atividade. Nada é desfrutado, porque sempre há um horário maracado.

Esse é o mundo de Marta, que também pode ser o nosso!

Weslei Pinha

RELIGIÃO DESCOMPLICADA

Quando falo em religião descomplicada, penso em um possível diálogo na eternidade entre o Pai e o Filho. Penso no Deus Pai dizendo: “Filho, eu lhe envio ao mundo para também tornar a fé mais simples”. Mesmo que o diálogo não tenha ocorrido, fato é que dentre seus feitos, Jesus tornou toda expressão fé algo mais simples a ser crido e praticado.

Ele simplificou o acesso a Deus. Antes de Cristo o acesso a Deus era envolto em burocracias. Se alguém desejava se aproximar do Criador, pelo menos 3 elementos eram fundamentais: Sacerdote, Templo e Sacrifício. Era preciso uma figura humana para intermediar o contado (sacerdote); Era preciso estar numa geografia santa (Templo Judeu em Jerusalém); Além disso, esse cidadão ansioso pela presença de Deus não poderia se apresentar de mãos vazias, ele precisa apresentar uma oferta (sacrificio).

Depois de séculos de tantas restrições ao Divino, Jesus, o descomplicador da fé aparceu assentado sobre um monte e afirmando:  “Não é mais necessário nada disso, basta você entrar em seu quarto, fechar a porta e orar a teu Pai que te vê, te contempla no secreto, na solitude, e o teu Pai que te vê te recompensará” (Mateus 6.6). Não é mais necessário uma pessoa especial, um lugar especial ou uma oferta especial. Acabou a burocracia! Basta clamar com a voz da alma e o coração cheio de fé e de quebrantamento.

Ele simplificou a obediência. As leis de Moisés eram um total de 613 mandamentos, sendo que 365 eram proibitivas e 248 instruções positivas. Agora imagine, 613 leis, mais centenas de regulamentações criadas pela tardição religiosa. Estamos falando de mais de mil preceitos. Uma obediência complexa, burocrática e pesada. Sobre isso Jesus advertiu:

Eles (os inventores de mandamentos) atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens… Mateus 23.4

Um dia Jesus estava entre os apaixonados por leis, regras e estatutos e disse: “Não são 613 mandamentos ou mais, são apenas dois: Amem a Deus de todo coração e amem ao próximo”. Mateus 22.37-39

A religião de Jesus não é uma religião de leis. A religião de Jesus é uma religião de amor!

Ele simplificou a adoração. Uma das burocracias na adoração tinha haver com a geografia, o lugar. Para o judeu estar no lugar certo fazia toda a diferença na adoração. O que pode ser facilmente percebido através do diálogo entre Jeus e a mulher de Samaria da cidade de Sicar (João 4). O texto afirma que essa mulher veio tirar água no poço onde Jesus estava assentado. Nesse momento Jesus lhe oferece uma água especial, Divina capaz de matar toda a sua sede existencial. A mulher mesmo sem entender perfeitamente de que  tipo de água Jesus estava falando, se interessa: “Senhor, me dê dessa água…” Ao que Jesus lhe condiciona: “Eu lhe dou, mas primeiro volte a cidade e traga seu marido”. Ela então responde: “Eu não tenho marido”. Jesus lhe confronta: “Verdade, porque você já teve cinco maridos e o homem que agora está com você não é seu marido”. Nessa hora ela reconhece que é uma pecadora e precisa buscar a Deus. Então em seu repentino desejo de adoração ela pergunta: “Eu quero adorar, mas onde é o lugar certo, qual a geogragia santa? É nesse monte, o Gerizim ou é em Jerusalém”? Ao que o simplificador da fé responde: “Nem nesse monte, nem em Jerusalém. Mas em qualquer lugar. Para Deus não importa o lugar, importa o adorador. É em qualquer lugar, desde que seja em espírtito e em verdade”.

Jesus simplificou a fé, não a tornemos complicada!

Weslei Pinha

DEUS NO ORDINÁRIO

Deus no ordinário é Deus no simples, no comum, naquilo que tende a acontecer com frequência. Mesmo Deus sendo quem Ele é, decidiu desde sempre a se revelar de forma ordinária. Porém, há nesse paradigma do Deus extraordinário que se revela de forma ordinária, o dilema da incapacidade humana em percebê-lo e ouvi-lo em meio ao simples e ao normal. Isso explica-se por nossa expectativa sempre extravagante e ineditista quanto a manifestação de Deus. Esperamos sempre pela sarça que se queima e não se consome, pelo templo tomado pela fumaça de glória, pelo sinal miraculoso ou ainda pelo anjo que vem do céu com a mensagem Divina. É por essa mentalidade cristã holywoodiana da revelação de Deus que perdemos a oportunidade de desfrutarmos de grandes e marcantes encontros com o Criador através do ordinário.

Mas diferente da nossa evidente falta de sensibilidade e percepção do Divino, o profeta Elias foi alguém que teve a capacidade de ver Deus no ordinário, no simples. Nesse tempo Elias vivia uma profunda crise ministerial e existencial, evidenciadas por seu desejo de abandonar o chamado profético, bem como a própria vida. É nesse tempo de crises que o Eterno se revela a Elias:

O Senhor lhe disse: “Saia e fique no monte, na presença do Senhor, pois o Senhor vai passar”. Então veio um vento fortíssimo que separou os montes e esmigalhou as rochas diante do Senhor, mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto, mas o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto houve um fogo, mas o Senhor não estava nele. E depois do fogo houve um murmúrio de uma brisa suave. Quando Elias ouviu, puxou a capa para cobrir o rosto, saiu e ficou à entrada da caverna. E uma voz lhe perguntou: “O que você está fazendo aqui Elias?” I Reis 19.11-13

Aqui, como na maioria das vezes Deus não estava no extraordinário, mas em um simples, comum e normal vento suave e fresco. Elias com sua percepção espiritual aguçada, percebeu Deus no ordinário e isso foi algo transformador e renovador para sua vida.

Precisamos assim como Elias, desevolver uma necessária e urgente percepção deslumbrante de Deus nas coisas mais simples e comuns. Isso implica em percebê-lo na natureza, nas atividades do dia a dia, nas circunstâncias boas e ruins da vida, nas conversas e nos encontros informais, bem como nas reuniões e nos cultos mais comuns de nossas igrejas.

Pastor Elienai Cabral Júnior em seu livro “Salvos da Perfeição” fala dentre outras coisas, da necessidade de encontrarmos com Deus na esquina. Do encontro fácil e simples nas esquinas da nossa rotina, ausente de expectativas erradas e burocracias religiosas.

Minha oração é que assim como os olhos de Geazi servo de Eliseu foram abertos, os nossos também se abram para contemplação da Glória de Deus nas coisas ordinárias, que segundo Isaias enche toda a terra.

Weslei Pinha

O PEQUENO GRUPO E A DESCENTRALIZAÇÃO DO TEMPLO

O livro de Atos dos Apóstolos, bem como as cartas paulinas nos apresentam de forma fiel a prática de vida dos primeiros cristãos. Essas informações vão desde suas crenças, devoção, ações evangelisticas, bem como forma e locais de suas reuniões. Sobre essa última prática, Lucas afirma em Atos 5.42:

“E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo.”

É valioso o relato de Lucas, visto que somos informados que nossos irmãos primitivos não viam o templo como único lugar de reunião para adoração e comunhão, mas também seus lares.

1 – A IGREJA PRIMITIVA NO TEMPLO

É preciso que se diga que o templo mencionado por Lucas em Atos 5.42, não é um templo cristão, construido pelos discípulos, mas trata-se do templo judeu, situado em Jerusalém.

Os discípulos do primiero século, residentes em Jerusalém faziam uso de uma parte do templo judáico, como nos apresneta Lucas em Atos 2.46; 3.1; 5.42; 22.17. Como o templo historicamente era o local de adoração a Deus do povo judeu, os cristãos de Jerusalém o ultilizavam com o objetivo de também cultar e ensinar.

Mas essa relação da Igreja Primitiva e o templo judeu não demorou muito, por pelo menos 2 motivos: PRIMEIRO A PERSEGUIÇÃO JUDAICA. Lucas afirma que após a morte de Estevão foi iniciada uma severa perseguição aos discípulos que estavam em Jerusalém.

Atos 8.1 – E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos.

Pela perseguição e ostilidade dos líderes judaicos, os discípulos deixaram de fazer uso do templo de forma frequente e pacífica como antes.

SEGUNDO DESTRUIÇÃO DO TEMPLO. Outro fator que determinou o fim de todas as relações entre a Igreja Primitiva e o templo, foi sua destruição. No ano 70 d.C, com a invasão do exército romano a Jerusalém, liderado pelo general Tito, os judeus foram massacrados e o templo foi destruido. Cumprindo assim a profecia de Jesus: Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada. Mateus 24.2

2 – A IGREJA PRIMITIVA NAS CASA

Não ter um lugar exclusivo e “sagrado” para culto não incomodava os discípulos, eles tinham as casas. Nunca foram reféns do templo, como nos informa Lucas “…e nas casas…”. Nossos irmãos primitivos viam suas casas como espaços para adoração, comunhão e ensino das verdades de Cristo.

Lucas e Paulo nos confirma isso através de diversos textos: Atos 2.2; 2.46; 12.12; 16.32; 18.7-11; 20.20; Rm. 16.5; I Co. 16.19; Cl. 4.15; Fm. 1.2.

Destaque para 6 passagens:

• Atos 2.2 – “E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados”.
• Atos 12.12 – “E, considerando ele nisto, foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e oravam”.
• Romanos 16.5 – “Saudai também a igreja que está em sua casa…”
• I Coríntios 16.19 – “As igrejas da Ásia vos saúdam. Saúdam-vos afetuosamente no Senhor áqüila e Priscila, com a igreja que está em sua casa”.
• Colossenses 4.15 – “Saudai aos irmãos que estão em Laodicéia e a Ninfa e à igreja que está em sua casa”.
• Filemom 1.2 – “E à nossa amada Áfia, e a Arquipo, nosso camarada, e à igreja que está em tua casa…”

Os textos acima refletem a realidade da igreja em quase 300 anos – Reuniões realizadas exclusivamente nas casas. As descobertas arqueológicas, confirmam que os lugares dedicados especificamente ao culto é posterior a metade do século III d.C. A igreja mais antiga descoberta até agora é a de Dura-Europos, que data aproximadamente do ano 270. Mesmo assim, essa igreja não passa de um pequena casa, como uma decoração muito simples, em nada se comparando aos templos cristãos de hoje.

A transição Casas/Templos, só se consolidou no século IV. O historiador cubano Justo González afirma que “Até a época de Constantino o culto cristão tinha sido relativamente simples. No princípio os cristãos se reuniam para adorar em casas particulares. Depois começaram a se reunir também em cemitérios, como as catacumbas romanas”. Só no século IV d.C com o governo de Constantino e seus sucessores que templos luxuosos são construídos e a prática das reuniões nos lares diminuem quase por completo.

Mesmo diante dessas mudanças, as concentrações nos lares não deixaram de existir no decorrer da história da igreja. Diversos grupos cristãos desenvolveram também esse hábito primitivo. Tais como: valdenses, pietistas, metodistas, bem como os batistas no Brasil através dos NEB’s na década de 80.

Hoje as igrejas brasileiras precisam, inspirados pelos primitivos cristãos, redescobrir as casas também, como espaços de adoração e discipulado. Para o pastor Ed René Kivitz em seu livro Quebrando Paradigmas “O Novo Testamento mostra que a vida cristã é uma vida de relacionamentos e os Pequenos Grupos são instrumentos capazes de possibilitar mutualidade e mobilização”.

“E todos os dias, no templo e nas casas…”

Weslei Pinha

BIOGRAFIA

GONZÁLEZ, Justo L. Era dos Gigantes. Editora Vida Nova. São Paulo-SP. 2002.

HURLBUT, Jesse Lyman. História da Igreja Cristã. Editora Vida. São Paulo-SP. 1979.

KIVITZ, Ed Rene. Quebrando Paradigmas. Editora Abba. São Paulo-SP. 2008

TUNALA, Marcio. Pequeno Grupo Multiplicador. Editora Convicção. São Paulo-SP. 2014

A TIRANIA DO RÓTULO

Talvez, nunca na história desse pais se rotulou tanto. Rotular é uma qualificação simplista, fruto de avaliações superficiais, preconceituosas e muitas vezes isoladas. A verdade é que gostamos de rotular e definir pessoas em uma palavra, algo cruel e injusto devido a falta de conhecimento e informações suficientes, além de ser um reducionismo humano, já que cada cidadão por sua grandeza, não pode ser resumido de forma tão simplista e medíocre.

Esse hábito tão presente na sociedade brasileira nas conversas de bares e esquinas, se revelou mais profundo e intenso, e creio que mais potencializado, com o advento das redes sociais, bem como nas eleições de 2018. Hoje vivemos sem dúvidas, uma opressão, uma tirania de rótulos.

Não gosto dos rótulos porque além do que já foi dito, eles carregam consigo um conceito pejorativo e preconceituoso por parte de quem rotula. Estamos tão contaminados por essa praga que qualquer frase, pensamento, texto, ação ou posicionamento, logo é interpretado e rotulado de comunista, capitalista, fascista, petista, feminista, machista, golpista, corrupto, liberal, intolerante, alienado, radical, racista, e por aí vai.

É verdade que alguns rótulos aplicados condizem com a verdade dos fatos, mas é preferível evitá-los, já que na maioria das vezes constitui-se em um julgamento simplista, superficial, precipitado, equivocado, partidarista e preconceituoso.

Fui e sou vítima da tirania do rótulo (e quem não é?). Lembro-me de ter ido ás redes na última eleição me posicionar contrário ao pseudo comportamento evangélico, mais preocupado com sexo do que com justiça social, uma típica prática de fariseus moralistas que coam mosquitos enquanto engolem camelos. Mesmo amando e respeitando, mas não concordando com o comportamento homossexual e sem nunca ter votado no PT, fui crucificado. Hoje tenho até medo de expor algumas opiniões sobre o atual cenário social, marcado pelo “glaucoma político” que cega direita e esquerda. Isso é a intimidação do rótulo.

Diferente disso, meu Mestre não tinha problemas com rótulos. Para ele a pessoa humana era bem mais que uma etiqueta social, era imagem e semelhança do Criador. Além disso, durante seu ministério era conhecido entre a classe religiosa como “amigo de pecadores” (Mt. 11.19). Um rótulo pejorativo fruto da inveja religiosa, mas que em Jesus, constituía-se o maior dos elogios.

Pare de etiquetar pessoas! Mais respeito, mais tolerância!

Weslei Pinha