A TIRANIA DO RÓTULO

Talvez, nunca na história desse pais se rotulou tanto. Rotular é uma qualificação simplista, fruto de avaliações superficiais, preconceituosas e muitas vezes isoladas. A verdade é que gostamos de rotular e definir pessoas em uma palavra, algo cruel e injusto devido a falta de conhecimento e informações suficientes, além de ser um reducionismo humano, já que cada cidadão por sua grandeza, não pode ser resumido de forma tão simplista e medíocre.

Esse hábito tão presente na sociedade brasileira nas conversas de bares e esquinas, se revelou mais profundo e intenso, e creio que mais potencializado, com o advento das redes sociais, bem como nas eleições de 2018. Hoje vivemos sem dúvidas, uma opressão, uma tirania de rótulos.

Não gosto dos rótulos porque além do que já foi dito, eles carregam consigo um conceito pejorativo e preconceituoso por parte de quem rotula. Estamos tão contaminados por essa praga que qualquer frase, pensamento, texto, ação ou posicionamento, logo é interpretado e rotulado de comunista, capitalista, fascista, petista, feminista, machista, golpista, corrupto, liberal, intolerante, alienado, radical, racista, e por aí vai.

É verdade que alguns rótulos aplicados condizem com a verdade dos fatos, mas é preferível evitá-los, já que na maioria das vezes constitui-se em um julgamento simplista, superficial, precipitado, equivocado, partidarista e preconceituoso.

Fui e sou vítima da tirania do rótulo (e quem não é?). Lembro-me de ter ido ás redes na última eleição me posicionar contrário ao pseudo comportamento evangélico, mais preocupado com sexo do que com justiça social, uma típica prática de fariseus moralistas que coam mosquitos enquanto engolem camelos. Mesmo amando e respeitando, mas não concordando com o comportamento homossexual e sem nunca ter votado no PT, fui crucificado. Hoje tenho até medo de expor algumas opiniões sobre o atual cenário social, marcado pelo “glaucoma político” que cega direita e esquerda. Isso é a intimidação do rótulo.

Diferente disso, meu Mestre não tinha problemas com rótulos. Para ele a pessoa humana era bem mais que uma etiqueta social, era imagem e semelhança do Criador. Além disso, durante seu ministério era conhecido entre a classe religiosa como “amigo de pecadores” (Mt. 11.19). Um rótulo pejorativo fruto da inveja religiosa, mas que em Jesus, constituía-se o maior dos elogios.

Pare de etiquetar pessoas! Mais respeito, mais tolerância!

Weslei Pinha


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